Prioridades para a agricultura familiar foram definidas em Fórum Regional

0

Mais de 250 pessoas participaram, nesta quinta-feira (08/11), das discussões sobre a importância da agricultura familiar para a Região Centro-Sul do Estado, no salão Paroquial de Dom Feliciano. Este foi o segrndo dia de atividades envolvendo o tema: na quarta-feira (07/11) aconteceu o Fórum da Agricultura Familiar e, na quinta-feira, o Fórum Regional de Desenvolvimento Rural. Depois de dois dias de troca de experiências e debates dos rumos da agricultura foram formatadas propostas pelo público que abrangessem os aspectos ambientais, sociais e econômicos.

Os participantes acreditam que para avançar, de fato, é preciso ampliar a diversificação em alternativa ao tabaco, garantir o apoio da Assistência Técnica e Extensão Rural oficial (ATER) aos agricultores, manter e ampliar os espaços de representação, discussão e capacitação, assim como atender aos demais objetivos que constam na Carta de Dom Feliciano, elaborada ao final do evento.

Na abertura da programação desta quinta-feira estiveram presentes o gerente adjunto da Emater/RS-Ascar em Porto Alegre, Air Nunes dos Santos, coordenador do Colegiado de Desenvolvimento Territorial Centro-Sul (Codeter Centro-Sul), Cícero Omar da Silva, os prefeitos de Camaquã, Ivo de Lima Ferreira, de Butía, Daniel Almeida, de Chuvisca, Joel Subda e de Dom Feliciano, Clênio Boeira da Silva, o gerente do Banrisul em Dom Feliciano, Renato Nogueira, o vice-presidente da Afubra, Marcos Dorneles, o presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, Renato Oliveira Stasinski, além de secretários municipais, vereadores, agricultores e estudantes de 17 municípios da região.

Após a manifestação das autoridades, o coordenador do Codeter Centro-Sul, Cícero Omar da Silva, leu a Carta de Dom Feliciano, elaborada na edição anterior do fórum, e comentou os avanços, as articulações feitas e as pendências.

Na sequência foram apresentados relatos de experiências desenvolvidas na região. A primeira delas foi o Projeto Procurando Novos Caminhos com Sustentabilidade Econômica e Social, apresentada pelos extensionistas da Emater/RS-Ascar em Camaquã, Charlise Nunes e André Conceição, e o secretário municipal de agricultura, Abner Dillmann. O trabalho foi estruturado a partir de 2014 e beneficia a população com recursos de compensações ambientais e sociais, por meio de construção de moradias, banheiros com saneamento básico, kits horta e irrigação, cisternas e capacitações para agricultores familiares em vulnerabilidade social.

Os extensionistas da Emater/RS-Ascar de Dom Feliciano, José Alcion Lemos Nunes e Eduardo Franz de Mesquita, e o agricultor Alfredo Stasiak, falaram de que forma os programas de conservação do solo, reservação de água para consumo, fonte protegida e resgate com troca de sementes e mudas tradicionais estão beneficiando os produtores do município. A propriedade de Stasiak é unidade de referência do Programa Municipal de Conservação de Solos e a família foi beneficiária da Chamada Pública da Sustentabilidade. Atualmente ela faz parte do Programa de Gestão Sustentável da Agricultura Familiar. “Nós agora temos água para o sustento à vontade e com o plantio direto, que eu iniciei há mais de 20 anos, não vejo mais erosão em minha propriedade. Graças a Deus eu tenho orgulho de deixar a propriedade e a terra em condições para meus filhos e netos”, analisou Stasiak.

O processo de incentivo à agroindustrialização da produção e seus avanços em Cristal, foram relatados pela técnica em agropecuária da Emater/RS-Ascar, Ana Paula Jeske e o agricultor Wilson Lacerda. Segundo Ana Paula, uma lei municipal para este fim contribuiu ainda mais para que os agricultores montassem seus estabelecimentos e passassem a beneficiar e vender na Feira Municipal, comércio local e mercados institucionais. O agricultor visitou uma granja em São Lourenço, em 2014, e, a partir da visita, ficou com vontade de ter seu próprio aviário e comercializar os ovos. Ele, então, montou sua agroindústria e vende para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), no comércio local e para particulares. “Em Cristal estão mudando a lei do Sistema de Inspeção Municipal (SIM), de 2002, para que se possibilite a equivalência do serviço municipal ao de inspeção estadual através do SUSAF, de forma que os produtores poderão comercializar em todo o Estado. Esta é uma forma de incentivar proprietários de agroindústrias a melhorarem as estruturas frente à abertura de novos mercados”, comenta Ana Paula.

A quarta experiência partilhada no Fórum foi a do cultivo do arroz cachinho em Barão do Triunfo, relatada, por meio de um vídeo, pelo tecnólogo em desenvolvimento rural da Emater/RS-Ascar no município, Edgar Machado da Silva. Até os anos 90 este era o principal arroz produzido no município, quando aconteceu uma diminuição significativa. Desde 2005 alguns produtores passaram a fazer o resgate deste produto típico da região, e, atualmente, existem cerca de 90 hectares de arroz grão curto. Um dos principais produtores é Jones Osielski, que além do cultivo de cinco hectares, tem uma agroindústria de beneficiamento. A família Osielski tem parceria com outros produtores, que também cultivam este tipo de arroz, o que faz com que se mantenha o abastecimento na agroindústria. “É preciso preservar o saber fazer, alimento tem cultura e tem história”, ressaltou Silva.

Os resultados de políticas públicas implementadas e que estão favorecendo os pecuaristas familiares de Butiá foram apresentados pelo secretário municipal de agricultura, Davi Correia. Esta quinta experiência traz como benefícios aos produtores o melhoramento da genética ovina e bovina e do campo nativo, o peso dos animais, ampliação das possibilidades de comercialização e da renda, incentivo à permanência dos jovens no campo e integração social.

À tarde os participantes do Fórum se reuniram em grupos para debater as perspectivas futuras do Território Centro-Sul. Os apontamentos dos grupos foram condensados nos encaminhamentos finais e formam um diagnóstico da agricultura familiar regional, podendo servir de base orientadora das políticas públicas em níveis municipal, estadual e federal, explica o supervisor da Emater/RS-Ascar na região, Volnei Wruch Leitzke. Estes apontamentos constam na Carta de Dom Feliciano.

Dois anos em Dom Feliciano
Com duas edições seguidas do fórum promovidas no município, Dom Feliciano encerrou mais um ciclo de apoio aos debates regionais. Esta foi a sexta vez que a cidade sediou o fórum oferecendo estrutura completa para receber os visitantes.
Já no encerramento o coordenador do Codeter Centro Sul, Cicero Omar da Silva, não poupou agradecimentos ao prefeito Clênio Boeira, pela iniciativa e disposição em ser o anfitrião das reuniões.
Por sua vez o administrador municipal se revelou contente em poder contribuir com o desenvolvimento regional e estimular os avanços no setor rural, considerando os ganhos das trocas de experiências e das vitrines de oportunidades surgidas a partir da promoção dos fóruns, incluindo a edição municipal.

Garantia de nova edição
Já no encerramento das atividades em Dom Feliciano a coordenação do Codeter Centro Sul comemorou quando o secretário municipal de Agricultura e Abastecimento de Camaquã, Abner Dillmann, fez o anúncio de que o município deverá sediar a próxima edição do fórum, em 2019.
O evento deverá ocorrer junto com ExpoCamaquã com data a ser definida, provavelmente entre setembro e outubro do próximo ano.

Fórum da Agricultura Familiar
Já na quarta-feira (07/11) ocorreu o fórum municipal, onde foi assinada uma intenção de convênio entre a prefeitura e a Ecocitrus, que prevê investimentos em logística, assistência técnica e extensão rural para apoiar a produção e, assim, estimular o fornecimento de matéria-prima pelos agricultores à empresa. Na parte da tarde, os participantes visitaram a agroindústria de azeite de oliva Costa Doce, na localidade de Remanso. No local foram apresentados o histórico da agroindústria e as perspectivas da produção de oliveiras na região. O grupo conheceu os pomares e o funcionamento do processo de beneficiamento da azeitona para produção do azeite extra virgem. No final ocorreu uma degustação com o azeite desta empresa que, inclusive, foi premiado por sua qualidade.

Fonte: Ascom Emater / Edição: Regional

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here