O uso sustentável do butiá volta ao debate em Tapes

Há tempos esquecido e sem muita evidência na região, o butiá voltou a ganhar espaço e até notoriedade nos últimos anos, a partir do projeto Rota dos Butiazais que tem mobilizado centenas de pessoas em encontros, fóruns e seminários onde são debatidos o uso sustentável desta planta nativa que exerce grande influência na cultura local.

Das discussões têm surgidos novos projetos que envolvem a culinária, o turismo, o artesanato, a geração de renda e sobretudo a preservação do meio ambiente. Tudo de uma maneira bastante integrada numa grande rede de cooperação e que tem gerado iniciativas diversas entorno dos butiazais.

Para dar segmento a esse trabalho acontecerá em Tapes de 11 a 16 de fevereiro, 2ª Semana de Atividades Sobre o Uso Sustentável do Butiá, com uma programação diversa que inclui oficinas, palestras, apresentações artísticas, exibição de trabalhos acadêmicos, além de exposições comerciais e artísticas.

Receitas culinárias e produtos artesanais produzidos a partir do uso sustentável do butiá

Durante a semana serão abordados os seguintes assuntos: O butiá nas escolas; Turismo nos Butiazais; Artesanato e Gastronomia com Butiá; Ecologia dos Ecossistemas de Butiazais (bases para o manejo conservativo e restauração); História dos Butiazais em Tapes e Barra do Ribeiro. (Veja programação abaixo)

Para a bióloga e doutora em Agronomia, Marene Machado Marchi (CNPq/Embrapa), o evento tem uma grande importância por voltar a Tapes onde foi o começo das discussões entorno da preocupação com os butiazais do Rio Grande do Sul e onde tiveram início os trabalhos e pesquisas de proteção ambiental, sobretudo a partir de uma denúncia do ambientalista Júlio Wandam, do Movimento Os Verdes, contra a poluição dos butiazais pelos depósitos de lixo perto das plantas nativas.

“É importante mostrar qual foi nossa caminhada nesse percurso ao longo desses anos, o grande número de pessoas envolvidas nessa conservação dos butiazais, sobretudo pelo uso. Tapes dava as costas para os butiazais e agora ergue essa bandeira da preservação e se preocupa com seu resgate cultural. Esse evento na cidade visa principalmente melhorar o nosso projeto. Apresentar resultados e aprender com os tapense o que podemos continuar fazendo pra preservar os butiazais” considerou Marene.

Ela também falou dos avanços do projeto, incluindo a adesão de cidades do Uruguai e da Argentina à Rota dos Butiazais, que já exploram o turismo a partir de eventos temáticos do “jataí” (butiá). Acrescentou a fase de articulação e elaboração de governança do projeto, a partir da parceria com o analista da Embrapa Clima Temperado, Apes Falcão Perera, que será o responsável por este trabalho.

Um dos destaques da programação da semana será a realização do VI Seminário da Rota dos Butiazais, que ocorrerá na sexta-feira (15), na Câmara de Vereadores e que terá como tema desta edição “O butiá no desenvolvimento local”. O município tapense abriga o mais antigo e preservado butiazal do país, com uma plantação com 700 hectares da fruta.

Junto ao seminário haverá uma exposição de pinturas do artista Rodrigo Subtil, de Sentinela do Sul. A mostra reúne peças de trabalhos que iniciaram em 2015 e têm como elemento principal os butiazais e em segundo plano, aspectos culturais, incluindo o gaúcho e suas tradições.

A programação deve contar com a presença de representantes da Embrapa, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Prefeitura Municipal de Tapes, Câmara de Vereadores, Uergs, Ufrgs, Emater, Sema/RS, agências de turismo, comerciantes e da sociedade civil, inclusive agricultores familiares.

Sobre a Rota dos butiazais

A Rota dos Butiazais é um espaço de integração que une Brasil, Uruguai e Argentina, que promove a valorização e conservação ambiental e o uso sustentável da biodiversidade associada aos butiazais. É uma conexão de pessoas, locais e ideias num amplo território onde existe uma ligação cultural importante com o butiá. É coordenada pela Embrapa Clima Temperado, com apoio do Ministério do Meio Ambiente e conta com a parceria de um grande número de instituições de ensino e pesquisa, ONGs e iniciativas privadas, atuando onde existem remanescentes de butiazais ou onde o butiá representa importante componente do cenário local.

PROGRAMAÇÃO:

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