Depois de um longo período sem promover atividades presenciais em virtude da pandemia do coronavírus o grupo que dirige a Associação de Pesquisa Histórica de Arambaré – ASSOPHIA, se reuniu no último dia 27 de maio, cumprindo os protocolos de segurança, para eleger a nova diretoria da associação para o biênio 2021-2023.

O encontro ocorreu no novo espaço dedicado à associação, junto ao Centro Cultural Inúbia, onde uma sala foi montada para acomodar o acervo da entidade e sediar as reuniões de trabalho.

A nova diretoria ficou composta com Paulo Vitolla, como presidente, Ester Fernandes, na vice-presidência, Angela Vitolla, de 1ª secretária, Aloir Rocha, como 2º secretário, Lorena Almada, de 1ª tesoureira e Catia Monser, como 2ª tesoureira, além do conselho composto por José Luis Ferreira, Renato Sperling (Tio Néco) e Airton Madeira.

O novo presidente concedeu uma breve entrevista ao Portal ClicR falando do trabalho da associação no município e revelando o planejamento para a nova gestão. Confira:

Portal ClicR: Fale um pouco sobre a ASSOPHIA e do trabalho realizado pela associação nos últimos anos.

Novo presidente da ASSOPHIA, Paulo Vitolla

Paulo Vitolla: A ASSOPHIA é uma associação de pesquisa histórica fundada em 2010 e seu estatuto social foi firmado em junho de 2011. A primeira presidente foi Helena Faria Valle, que seguiu posteriormente como secretária por duas gestões. Uma pessoa que faço questão de mencionar, pois foi muito atuante e quem me apresentou para a associação. Infelizmente a perdemos o ano passado, quando ela faleceu.

A entidade nasceu com o objetivo maior de encontrar raízes no passado e desvendar as origens, principalmente das pessoas que residem nessa terra e sobretudo os que são nativos de Arambaré. É um trabalho que serve para uma tomada de consciência da identidade e para entender melhor a realidade que se vive. Aqui eu aproveito e cito uma frase do Dr. Luis Alberto Cibils, escrita em seu livro, no ano de 2003: “Flui o tempo, mas não morre o que o homem construiu”. Isso eu considero uma grande verdade.

Mesmo sendo uma entidade bastante jovem a associação já realizou diversas ações e elaborou diferentes propostas e projetos, entre os quais podemos destacar entrevistas com os moradores mais antigos do município e da região para colher relatos. Com estas pessoas conseguimos também documentos, objetos, fotos e livros, entre outros materiais que hoje compõem o acervo da ASSOPHIA, além do que nos foi doado espontaneamente por diversas pessoas.

A associação exerceu papel fundamental na obtenção de parte do acervo, incluindo móveis, livros de medicina, equipamentos cirúrgicos e utensílios pessoais, do Dr. Irineu Atahualpa Cibils, que foram doados ao município de Arambaré pelo seu filho Dr. Bolívar Cibils. Isso no ano de 2016. Desde então e a partir deste material temos batalhado para que se constitua um memorial ou um mini museu de Arambaré, que agora está tomando forma em um espaço dentro do Centro Cultural Inúbia, onde já estão expostos estes objetos, além de outros que foram doados por outras famílias ao longo do tempo.

Também, a ASSOPHIA tem atuado com palestras, narrativas históricas, esquetes teatrais e contação de histórias em escolas do município. Auxiliamos o projeto Teko Porã desenvolvido no município para a capacitação de jovens para atuarem como agentes de turismo.

Tivemos participação em 2016 nas feiras do livro de Arambaré e Camaquã. Editamos um informativo em formato jornal chamado “Voz da ASSOPHIA” que teve quatro edições impressas, sendo a última em janeiro de 2018, onde foram registrados fatos atuais e passados do município e da região.

Trabalhamos também na identificação de alguns marcos históricos que tem ajudado na divulgação do turismo, como exemplo, a casa do Zeca Lemos, a igreja Nossa Senhora dos Navegantes, com fotos antigas e atuais, o marco de desembarque das tropas federalistas durante a Revolução Farroupilha, que fica na estrada Cônego Puhl.

Auxiliamos na recepção de turistas na cidade, sobretudo grupos de senhoras da região de Porto Alegre. Constituímos dez saraus poéticos na cidade e participamos de eventos da mesma ordem em Camaquã, junto com a CAPOCAM e na região. Inauguramos no município as “caixatecas”, que são bibliotecas itinerantes confeccionadas com caixas de frutas e distribuídas em alguns pontos estratégicos, abastecidas com livros de doações para proporcionar ao público o acesso à leitura.

Acervo do Dr. Irineu Atahualpa Cibils, no Centro Cultural Inúbia

Portal ClicR: Desde quando o Sr. integra a ASSOPHIA e como tem sido sua participação na associação?

Paulo Vitolla: Desde 2016 quando fui apresentado e participei como colaborador junto aos demais membros auxiliando nas tarefas do grupo. Fui o idealizador do informativo impresso, que infelizmente tivemos que parar de produzir por escassez de recursos uma vez que nosso trabalho é voluntário, além de que contribuímos mensalmente com um valor mínimo em dinheiro para auxiliar a manutenção de algumas atividades. Pretendemos retomar este trabalho.

Portal ClicR: O que este cargo de presidente da associação representa para o senhor?

Paulo Vitolla: É a primeira vez que presido a ASSOPHIA e considero uma honra terem me atribuído esta função. Espero corresponder as expectativas que se criarem ao longo deste processo de gestão.

Portal ClicR: Qual sua meta neste mandato comandando a associação?

Paulo Vitolla: Pra ser sincero a questão de comando é discutível, uma vez que se trata de um grupo que trabalha sempre em conjunto e com decisões tomadas em reuniões. Dividimos as tarefas e vamos à luta e como grupo.

Em primeiro lugar, estamos pensando em dar prosseguimento ao que vem sendo feito. Precisamos destacar que tudo isso está condicionado aos tempos de pandemia que vivenciamos e possível volta à normalidade. Esperamos que o pós-pandemia seja melhor que era antes e que as pessoas sejam mais receptivas e dispostas a dividir conhecimento.

Também queremos convidar pessoas do município a se integrarem no grupo. Já estamos em contato com alguma dessas pessoas que se dispuseram a participar, tanto as que já têm uma longa história de vida ou mesmo jovens e aquelas que adotaram o município como sua casa, como é o meu caso, por exemplo.

Do ponto de vista técnico queremos aprofundar pesquisas científicas, históricas e contribuir cada vez mais culturalmente e também intervir junto as associações que tratam questões ambientais.

Neste sentido quero abrir um parêntese para falar de uma das nossas pretensões que é dar continuidade a uma prospecção indígena de sítios arqueológicos que fizemos de uma forma muito incipiente recentemente quando um morador do distrito de Santa Rita, ao preparar uma lavoura para o plantio de arroz com a retroescavadeira encontrou materiais que despertou a curiosidade e fomos chamados para verificar.

Constatamos ser cerâmicas indígenas e levamos inclusive para o pesquisador e historiador João Máximo Lopes, em Camaquã, para conferir e ele nos confirmou o que já havíamos constatado. Ainda fomos até a UFPel, no laboratório de arqueologia, onde o professor Rafael Milheira, associado do Departamento de Antropologia e Arqueologia daquela universidade, também nos atestou serem cerâmicas indígenas Guaranis.

Portanto a ideia é tentar retomar essa prospecção junto aos estudiosos no assunto e ver se as autoridades do governo municipal e mesmo a iniciativa privada têm interesse em demarcar estes sítios, pois acreditamos que do ponto de vista turístico isto seria muito interessante pra Arambaré e região.

Portal ClicR: Quem é Paulo Vitolla?

Paulo Vitolla: Sou natural de São Lourenço do Sul, estudei eletromecânica e morei em diversos lugares. Me considero cidadão do mundo. Comprei uma residência em Arambaré em 2012 e quando vim pra cá definitivamente, em 2015, me aposentei dos Correios e Telégrafos onde trabalhei por 30 anos em Porto Alegre. Durante esse tempo me formei em História, passei em concurso público e me tornei professor na escola estadual Dr. Donario Lopes, em Arambaré, mas em pouco tempo questões de saúde me afastaram do ofício, então assumi minha aposentadoria de vez.