Brincadeira do quebra-crânio viraliza e preocupa

Uma brincadeira batizada de “quebra-crânio” que viralizou em vídeos na internet nos últimos dias tem preocupado pais de adolescentes e diretores de escolas, pelo perigo que a prática oferece aos que são vítimas desta nova “pegadinha”.

A brincadeira é feita por duas pessoas que desafiam uma terceira, desavisada, a participar. Os dois desafiantes se postam ao lado da vítima que fica no meio e pulam simultaneamente. Em seguida orientam o terceiro a pular também, momento em que ambos aplicam uma rasteira no indivíduo provocando uma queda brusca de costas.

A diretora da escola estadual Mem de Sá, em Cerro Grande do Sul, Nara Eledi Raphaelli, revela que está apreensiva com o que tem visto sobre o assunto e garante que o tema será pauta de discussão na reunião da equipe diretiva na próxima segunda-feira, 17 de fevereiro, antes do reinício das aulas que ocorrem na quinta-feira (20), no sentido de montar uma estratégia para alertar os alunos sobre o perigo da brincadeira.

“Isto é muito sério, sobretudo neste momento de volta às aulas que eles querem mostrar novidades uns aos outros. Vamos ser incisivos em coibir a prática na escola, pois sabemos que adolescentes podem não ter a consciência do risco que essa brincadeira de mau gosto oferece. Inclusive, pra isso contamos com o auxílio dos monitores que fiscalizam os alunos no pátio e que infelizmente o Estado acenou que poderá nos deixar sem estes servidores tão necessários para a manutenção da ordem na escola”, disse a diretora.

A fisioterapeuta Denise Jobim, que atende em consultórios em Cerro Grande do Sul e Sertão Santana, alerta que a vítima desta brincadeira pode sofrer graves lesões incluindo fraturas ou até mesmo morrer em consequência da queda.

“Dependendo da forma que a pessoa cai e o grau de impacto a queda poderá causar lesões na coluna com risco de gerar deformidades, limitações nos membros ou até a perda de movimentos. Um tombo como este pode causar lesões simples como escoriações, torções leves de ligamentos, mas também pode fraturar ossos e causar luxações. Dependendo da torção pode provocar o rompimento total de ligamentos e a necessidade de cirurgia para correção. A vítima ainda pode ter fratura de vértebras ou lesão cervical com alto risco de ficar tetraplégica. Em casos mais graves pode haver traumatismo craniano que pode provocar a morte”, detalhou Denise.

A fisioterapeuta acrescenta que as lesões podem ocorrer independente se a queda for em um piso rígido ou em uma superfície macia como um tapete, por exemplo.

Nesta semana a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) emitiu uma nota alertando sobre os riscos do quebra-crânio e as responsabilidades que podem recair sobre quem pratica a brincadeira.

Diz um trecho da nota assinada pela Diretoria Executiva da SNB:

“O que parece ser uma “brincadeira” inofensiva, é gravíssimo e pode terminar em óbito. Os responsáveis pela brincadeira de mau gosto podem responder penalmente por lesão corporal grave e até mesmo homicídio culposo. Deste modo, como sociedade, pais, filhos e amigos, devemos agir para interromper o movimento e prevenir a ocorrência de novas vítimas”.

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