Enquanto não vêem suas reivindicações atendidas os caminhoneiros seguem mobilizados em manifestações pelo país, nesta quarta-feira, 23 de maio.
Os protestos ganharam força na região e entre Guaíba e Pelotas, em pelo menos seis pontos da BR-116, existem concentrações dos manifestantes que estão abordando os veículos de carga e impedindo a passagem dos que insistem em seguir rodando.
Em Camaquã o bloqueio se estendeu inclusive para camionetes e vans no sentido de impedir qualquer transporte de carga. Os caminhões que fazem a coleta do lixo orgânico também ficaram detidos na paralisação, no início da manhã.
A mesma estratégia está sendo implantada em Guaíba onde já é grande a concentração de caminhões parados.

Falta de unidade
Embora o movimento, iniciado pelos caminhoneiros autônomos, tenha ganhado força eles reclamam da falta de união de alguns colegas que insistem em seguir rodando. Outro fato que incide contra o movimento é a insitência das grandes empresas em manter os transportes de carga.
Alguns motoristas, funcionários das empresas que não aderiram aomovimento reclamam desta decisão e temem pela sua própria segurança. “Estamos andando contrariados, mas os patrões querem madeira a qualquer custo. Fazer o que?”, postou um motorista de empresa nesta manhã em uma rede social.

Apoio
Embora ainda pequeno, os caminhoneiros têm recebido apoio de outros setores. Alguns produtores rurais se juntaram às concentrações com tratorres e máquinas agrícolas estacionadas à beira da pista.
Em Camaquã os taxistas fizeram uma paralização simbolizando a solidariedade da classe que também sofre com as constantes altas nos combustíveis. Só neste mês foram cinco reajustes nas refinarias.
Algumas redes de postos de combustíveis estão acolhendo os manifestantes aos quais oferecem estrutura como banheiros, chuveiros e estacionamento sem custos.

Foto: Divulgação WhatsApp

O movimento segue pacífico
Até o momento não foi registrado nenhum ato violento durante as manifestações. Apesar de algumas discórdias e bloqueios contrariados, não houveram agressões ou vandalismo.
As queimas de pneus seguem sendo feitas às margnes das vias somente como ato sinalizador dos protestos.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) segue monitorando os pontos de concentração, com viaturas e helicópteros, a exemplo de Camaquã.

Movimentação do Governo
O governo passou o dia de ontem, terça-feira (22), promovendo reuniões para discutir o assunto. Em uma delas o presidente da Petrobras, Pedro Parente, disse que a estatal nunca considerou a possibilidade de mudar a política de reajustes que, segundo ele, estão relacionados aos preços internacionais e ao câmbio. Acrescentou que redução depende de outras medidas como a mudanças na tributação, mas evitou falar sobre o assunto.
Temer também esteve reunido com ministros discutindo a possibilidade de redução da cobrança de tributos sobre os combustíveis. Existem situações em que a composição de impostos supera 40% do valor final do preço.
Já no final desta terça-feira (22), os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciaram que o governo vai zerar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) cobrada sobre os combustíveis.
Na prática ainda é cedo pra saber qual é o impacto que a medida vai causar nos preços dos combustíveis nas bombas, mas sabe-se que é uma diferença mínima, pois a Cide corresponde a no máximo 2% do valor final do combustível.