A estiagem que atingiu o Rio Grande do Sul entre o final de 2019 e início de 2020 causou enormes prejuízos na agricultura, principalmente entre os produtores com menor infraestrutura para enfrentar as intempéries climáticas.

Os custos de produção na agricultura familiar são altos e nem sempre os investimentos necessários para garantir segurança na produtividade estão ao alcance da condição financeira do produtor rural.

Neste sentido a construção de açudes subsidiados por programas estaduais voltados a investimentos em estrutura rural tem sido de grande importância a estes agricultores uma vez que vem ao encontro das suas necessidades, pois permitem a reservação de água para usos múltiplos e dão condições para a expansão da prática de irrigação.

Em Barão do Triunfo o agricultor Mauricio Lanzarini de Souza, 33 anos, revela que o açude construído recentemente na propriedade da família deve garantir essa segurança para a produção de arroz pré-germinado.

“Na safra passada faltou água por conta da seca e tivemos quebra na produção de arroz e milho. O açude vai auxiliar bastante, pois acredito que nos permita irrigar entorno de cinco hectares de lavoura de arroz e até dez se for fumo ou milho. Outra vantagem é que o açude ficou muito bem localizado na propriedade e para a irrigação do arroz não será necessário o uso de bomba”, comemora o agricultor.

Mauricio mora e trabalha com os pais, na localidade de Zona dos Marques. A família aposta na diversificação de cultura com o cultivo de fumo, arroz e milho para a comercialização, além de outros cultivares como batata-doce, aipim e feijão para a subsistência e trato dos animais.

Nos últimos anos a região Centro Sul tem sido contemplada com estes programas que utilizam diferentes fontes de recurso financeiros, incluindo convênios com o governo Federal, fundos de reservas ambientais e/ou dinheiro de emendas parlamentares impositivas indicadas de forma coletiva por deputados estaduais.

Recentemente foram aprovados 40 novos projetos na região, de um novo lote de 2020 que contemplou os municípios de Camaquã, Cerro Grande do Sul, Chuvisca e Cristal, com dez açudes cada e que tem previsão de serem construídos até o final do ano.

A coordenação dos programas passa pela Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) e a elaboração dos projetos técnicos ficam ao encargo dos escritórios municipais da Emater/RS-Ascar que em parceria com os conselhos municipais de agricultura promovem a escolha dos beneficiários com base nos critérios determinados pelo programa.

Para o engenheiro agrônomo, Elias Kuck, do escritório municipal da Emater/RS-Ascar de Barão do Triunfo é importante a manutenção de um banco de projetos nos municípios que pode ser construído a partir da manifestação de interesse dos agricultores.

“Se tivermos catalogados estes planos de produção com base na utilização de água para irrigação e a necessidade da construção de infraestrutura teremos mais agilidade na elaboração dos projetos e consequentemente mais chances de garantir os recursos”, pontuou o extensionista.