A grande maioria das agências dos Correios não vão funcionar nesta terça-feira, 18 de agosto, em consequência da greve promovida pelos cerca de 100 mil funcionários em todo o país, que teve início às 22 horas de ontem (17) e não tem previsão de término.

De acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (FENTECT) a medida é em protesto contra a privatização da estatal e pela falta de atenção com a saúde dos trabalhadores durante a pandemia.

O Sindicato dos Trabalhadores de Correios do Rio Grande do Sul (SINTECT-RS) também se manifestou através de um documento divulgado nas redes sociais.

Confira:

CARTA ABERTA A POPULAÇÃO GAÚCHA

Os trabalhadores de Correios no RS informam à população gaúcha, que a partir das 22h do dia 17 de agosto de 2020, entrarão em greve por tempo indeterminado. A categoria está sendo obrigada a paralisar suas atividades para defender seus direitos e suas vidas.

O governo federal e a direção do Correios querem acabar com direitos conquistados ao longo de décadas de muitas lutas, incluindo plano de saúde, tícket-alimentação, creche, entre outros. Na negociação deste ano, apresentaram reajuste zero e querem retirar praticamente todos os direitos da categoria.

Há tempos o Correios vem sendo destruído pelo governo. Mas isto não é por acaso. O objetivo é sucatear a empresa e acelerar sua privatização. Fecharam agências, não realizam concurso para substituir os trabalhadores que se aposentaram ou saíram em sucessivos Programas de Demissão, entre outras iniciativas que têm levado aos problemas que hoje afetam a população. É a direção da empresa, e não os trabalhadores, a verdadeira responsável pelos problemas que o Correios tem hoje. Enquanto a demanda cresceu 25% desde que iniciou a pandemia, o governo e os gestores destroem cada vez mais a empresa.

Os trabalhadores têm dado o seu sangue para manter os serviços, apesar das condições precárias de trabalho, da sobrecarga, com cada empregado realizando o trabalho de dois ou três, das exaustivas jornadas, trabalhos sábados e domingos, da pandemia, para estar nas ruas atendendo à população.

Estão expondo sua vida. A cada dia mais trabalhadores se contaminam com o coronavírus e agora, além de lutar pelas suas vidas, tem que enfrentar uma brutal e desumana destruição de seus direitos e resistir a privatização da empresa.

Enquanto isso, o presidente da ECT, general Floriano Peixoto, vai para a imprensa, chamar os trabalhadores de “privilegiados”. Se tem alguém privilegiado no Correios é a alta direção, que sem realizar concurso, ganha mais de 40 mil por mês, tem plano de saúde e estão seguros em suas casas durante a pandemia.

Queremos atender com a excelência que o Correios sempre teve. Mas, para isso, precisamos de condições dignas de trabalho, precisamos cuidar da nossa saúde e ter a tranquilidade que nossos direitos e empregos serão assegurados.

Por isso, precisamos de apoio da população à nossa luta. Lutamos contra a privatização do Correios, por melhores condições de trabalho e pela manutenção dos nossos direitos.

A pandemia provou que o serviço prestado pelo Correios é essencial. E ele só poderá ser garantido com a qualidade, chegando a todos os rincões do País e a um preço justo, se a empresa for pública. O Correios é um patrimônio do povo brasileiro e não pode ser privatizado. Apoie nossa luta e diga não à privatização do Correios.

AGOSTO DE 2020.