A câmara municipal de vereadores de Sertão Santana, durante o biênio 2021/2022, deverá ser presidida pelo vereador Tuta, do PTB, que foi eleito pela maioria dos colegas por ocasião da sessão de posse ocorrida no primeiro dia do ano.

A escolha seguiu os trâmites legais e democráticos, contudo a composição da chapa vencedora encabeçada pelo PTB com o apoio do PP é que vem sendo discutida nos bastidores políticos da cidade, uma vez que no Executivo municipal o PDT e o PTB são coligados e no Legislativo disputaram separados a mesa diretora da Casa de Leis.

Questionado de porque o PTB não teria se alinhado com o PDT na disputa, o novo presidente do Legislativo, respondeu que a mesa diretora deve ser composta pelo maior número de partidos atuantes dentro da câmara de vereadores e que sendo assim foi enviado convites para as duas bancadas, do PP e do PDT, tendo sido ofertados os cargos de vice-presidente e segundo secretário para o PDT, e de primeiro secretário para o PP, conforme a proporcionalidade, mas que o PDT não aceitou participar da chapa nestes termos.

Tuta garante que cumprirá os dois anos como presidente e que não houve nenhum acordo com o PP para alternância de posições no cargo e nem pré-acordos para nova eleição ao final do biênio.

Sobre a possibilidade de as negociações partidárias do Legislativo gerarem algum tipo de desgaste nas relações entre PTB e PDT no Executivo, Tuta disse acreditar que isso não deva ocorrer, por considerar que são dois poderes distintos e com decisões soberanas. Ele destacou ainda uma nota de esclarecimento que o presidente municipal do PTB e vice-prefeito, Marcos Souza publicou em seu perfil no Facebook, onde fala de suas tratativas com o prefeito Alemão em relação a coligação.

Diz o trecho da nota: “…no dia 10 de setembro de 2019, eu e o prefeito Irio, decidimos que seria a mesma chapa e ajustamos tudo que deveria ser respeitado por cada partido, mas em momento algum foi tratado a presidência da Câmara e a tratativa da coligação do PTB com o PDT foi feito única e exclusivamente entre eu e o Alemão e qualquer dúvida sobre esse assunto podemos nos reunir pessoalmente para esclarecimentos”.

Já o vereador Lucas Gelinski, do PDT, que concorreu à presidência na chapa montada com os quatro vereadores do partido e que foi derrotada pela composição adversária, tem uma versão diferente para os fatos e acusa o PTB de traição, exigindo inclusive a renúncia de Tuta da presidência como condição para o acerto entre as partes e que do contrário entende restar insustentável a relação harmônica.

“Estão dizendo que não nos passaram a perna, mas a proposta deles foi completamente unilateral e intransigente nos ofertando a vice-presidência. Mantivemos a nossa postura de não cedermos a essa proposta para não abrirmos precedentes e logo ali na frente sermos provocados a ceder a outros caprichos”, colocou o vereador do PDT.

Gelinski defende que deveria ter sido mantida a alternância no cargo da presidência entre os dois partidos, iniciada em 2017, quando o então vereador do PDT, Tiago Xavier foi eleito presidente no primeiro biênio e Tuta no segundo.

“Acredito que deveria seguir uma lógica e alternar este cargo, já que a coligação se reelegeu e nós do PDT passamos de dois para quatro vereadores e o PTB caiu de três para dois. É uma espécie de acordo que não está explícito, mas que todo mundo sabe como deveria ocorrer, pela tradição, pelas tratativas e pela coligação que estava construída”, considerou.

Lucas garante que durante as negociações, antes da posse, o grupo do PDT sempre deixou claro ao PTB que a atitude de não abrir mão da presidência seria tomada como uma ruptura nas relações entre os partidos.

Questionado sobre quais seriam os motivos de não ter havido o alinhamento o vereador do PDT classificou os colegas do PTB como conservadores e resistentes às inovações.

“Nós do PDT não somos políticos de carreira. Formamos uma bancada nova, de vereadores estreantes na câmara e temos ideias inovadoras, mas acreditamos que estas não sejam bem vindas pelos colegas PTB e talvez isto os tenha assustado um pouco. A velha política”, concluiu.