O dólar recuou nesta quarta-feira (dia 23) para o menor nível em dois meses, negociado a R$ 4,03, com o mercado embalado pela aprovação da reforma da Previdência no Senado.

Qual o contexto?Após idas e vindas, o Senado concluiu no início da tarde a votação em segundo turno da reforma da Previdência, que agora já pode ser promulgada. A medida é considerada fundamental para o reequilíbrio das contas do governo e para a consequente atração de investimentos privados.

A queda ocorre também em um momento em que cresce a expectativa de ingressos de recursos estrangeiros decorrentes dos leilões de campos de petróleo. No maior deles, conhecido como leilão da cessão onerosa, o governo espera uma arrecadação superior a R$ 100 bilhões, em boa parte de petrolíferas de fora.

Vamos aos números: O dólar à vista caiu 1,05%, para R$ 4,0329 na venda, menor patamar para fechamento desde 21 de agosto (R$ 4,0314). Na mínima do dia, a cotação foi de R$ 4,0296. Com o recuo de mais de 1%, a moeda americana contabilizou a mais forte desvalorização acumulada em dois dias desde janeiro: -2,36%.

O real teve o segundo melhor desempenho nos mercados globais de câmbio nesta sessão, atrás apenas da lira turca.

O que dizem os analistas? “Espero que, passada a reforma da Previdência, outros vetores da agenda econômica comecem a caminhar, ficando claro para o investidor – especialmente o estrangeiro – o caminho positivo que o Brasil está seguindo”, disse Dan Kawa, sócio da TAG Investimentos.

Além das reformas, analistas têm citado expectativas de ingressos de recursos dos leilões do pré-sal e privatizações como argumento para um cenário em que o dólar pelo menos se estabilize abaixo das máximas recentes na casa de R$ 4,16. “Vemos chance de US$ 17 bilhões em fluxo (para entrada no mercado brasileiro) até o quarto trimestre”, disseram profissionais do Morgan Stanley em nota.

E o Ibovespa? O principal índice de ações da B3 renovou a máxima de fechamento pela terceira sessão seguida nesta quarta-feira, em dia marcado pelo início da divulgação de balanços trimestrais de empresas no índice e com investidores igualmente animados após a aprovação no Senado da reforma da Previdência.

O Ibovespa subiu 0,15%, para 107.543,59 pontos. O volume financeiro da sessão somou R$ 17 bilhões.

O Itaú BBA destacou que o Ibovespa abriu espaço para testar novos patamares. “Os próximos objetivos do mercado estão em 114 mil e 120 mil pontos”, afirmaram os analistas Fabio Perina e Larissa Nappo em relatório a clientes.