A boa notícia de que a prefeitura de Arambaré poderá obter recursos via empréstimo para construir uma nova ponte ligando os bairros Costa Doce e Caramuru veio acompanhada de novas preocupações à administração municipal, uma vez que os trâmites para liberação do dinheiro, elaboração do projeto definitivo e a execução da obra efetivamente não devem demorar menos de um ano, e neste período a velha ponte João Goulart segue sendo a opção mais rápida de travessia de um lado a outro da cidade.

Ocorre que na tarde desta quarta-feira, 17 de novembro, a pedido do prefeito Jardel Magalhães, o secretário estadual de Obras e Habitação, José Stédile esteve no município acompanhado dos engenheiros civis Luiz Ricardo Saenger e Júlio César Fredes da Silveira os quais fizeram uma vistoria na ponte João Goulart, a fim de avaliar as condições da estrutura com vistas a emissão de um parecer técnico sobre as condições de trafegabilidade da ponte e a viabilidade de uma reforma estrutural que garanta um reforço capaz de sustentar maior peso, para possibilitar a travessia de ônibus e caminhões até que a nova obra seja concluída e entregue.

Engenheiros da sec. Obras do Estado vistoriaram a ponte João Goulart

Embora o laudo com o resultado das análises deva ficar pronto somente na próxima semana os engenheiros já adiantaram que pelas más condições de conservação a construção propicia uma situação ameaçadora para os usuários, além de que desaconselharam qualquer investimento na recuperação da estrutura, uma vez que o custo seria muito alto para uma solução paliativa.

“Algumas porcas e parafusos não existem mais e outros estão se esfarelando a ponte que se mexer podem cair. Na engenharia costumamos dizer que tudo é possível de se recuperar, porém precisa ver a que custo, o que nesta obra seria bem alto”, projetou Saenger.

“Eu não colocaria dinheiro bom em uma estrutura ruim como esta. Pelo desgaste que identificamos a estrutura pode entrar em colapso a qualquer momento que for submetida ao peso de um caminhão ou ônibus, por exemplo. Além do mais não há como saber como está a base da fundação desta construção”, alertou Julio César.

Logística

A não ser pela ponte João Goulart o acesso entre os bairros Caramuru e Costa Doce para veículos pesados só pode ser feito pela ponte sobre o Velhaco na BR-116. Neste caso a travessia que é de menos de 100 metros passaria para mais de 90 km com o desvio.

Na estrada da localidade do Passo Maria Gomes, existe outra ponte sobre o arroio Velhaco, porém nesta que é totalmente de madeira, também não é permitida a passagem de veículos pesados. Neste local os agricultores da região costumam atravessar com tratores pelo leito do arroio em épocas de pouca vazão, contudo quando a água sobe isto também não é possível.

É neste ponto que a administração municipal estuda a implantação de uma nova estrutura que permita a passagem de veículos pesados. O desvio ficaria com cerca de 20 km.

Ponte sobre o arroio Velhaco no Passo Maria Gomes – Foto: Divulgação/Google

Já nesta quarta-feira (17) o prefeito Jardel Magalhães esteve no local com os engenheiros da secretaria de Obras e Habitação do Estado avaliando a possibilidade.

Numa primeira avaliação foram consideradas duas opções, sendo uma a construção de uma nova ponte de madeira, mais resistente. A outra ideia seria a construção de uma ponte úmida e rasa com estrutura de concreto e aterros, que em caso de cheia do arroio ficaria submersa, mas permaneceria no local, necessitando de pequenos reparos para ser reutilizada.

Concluídas as vistas e avaliações prévias, o prefeito Jardel levou o assunto para discussão com sua equipe de governo, considerando a orientação dos engenheiros e deverá anunciar uma decisão definitiva nesta sexta-feira (19) pela manhã, para quando marcou uma coletiva com a imprensa em seu gabinete para falar sobre o tema.

A ponte

A ponte que faz homenagem a Jango, construída no governo Brizola, foi inaugurada em 1962 e já teve sua capacidade para veículos de até 36 toneladas.

Foto: Divulgação/mapio.net

No ano de 1992 um acidente com uma carreta provocou a queda da construção que precisou passar por uma reforma total, porém foi reutilizada a mesma estrutura metálica e renovada apenas a parte de madeira, tendo sido entregue para uso novamente em 1994.

A falta de manutenção adequada foi causando desgastes sérios na ponte e em 2013 ela sofreu redução na sua capacidade de carga para 25 toneladas e depois para 15 toneladas.

Os problemas só se gravaram e em 2017 a prefeitura emitiu uma nota com a seguinte informação:

“O trânsito na ponte João Goulart, que liga os bairros Centro e Caramuru, conforme sentença exarada em 26 de setembro de 2017 nos autos da Ação Civil Pública nº 007/116.00030474 fixou que até a sua manutenção e/ou reconstrução, o tráfego de veículos fica limitado ao peso máximo de 3,5 toneladas”.