Depois de deixar Cerro Grande do Sul, o padre João Miguel Schäfer tomou posse na paróquia Santa Terezinha, na localidade de Capão da Porteira, município de Viamão, no último domingo, 31 de janeiro.

Dos 25 anos de ordenação que foram comemorados pelo padre Miguel em 26 de janeiro deste ano, mais da metade ele atuou na paróquia São José da Fortaleza, em Cerro Grande do Sul, onde permaneceu por 13 anos comandando a comunidade católica local. Todavia como é natural para quem segue a vocação, chegou a hora do sacerdote seguir seu caminho em outra paróquia

Confira a entrevista com padre Miguel antes de sua partida

Regional: Como a vocação do sacerdócio surgiu na sua vida?

Padre Miguel: Eu nasci no dia 29 de setembro de 1960 no interior do município de Montenegro, comunidade que hoje pertencente ao município de Barão e sou o quarto filho de uma família de 14 irmãos. Nossa família de pequenos agricultores vivia embrenhada nos morros da região, então crescemos trabalhando na lavoura desde criança e tive meus estudo primários numa escolinha da comunidade.

Participava sempre dos atos religiosos da nossa comunidade que tinha missa todas as semanas, catequese, visita das capelinhas de Nossa Senhora nas casas, reza do terço todos os dias nas casas, então foi um crescimento em meio a uma família cristã, mais antiga, antes da televisão. Tivemos muito espaço pra esse cultivo da fé e da religiosidade.

Regional: Como foi sua formação?

Padre Miguel: Depois de concluir os anos iniciais na escola dei uma pausa nos estudos e fiquei sete anos trabalhando na lavoura até minha adolescência. Aos 19 anos retomei os estudos. Terminei o ensino médio no curso de magistério e me formei professor e durante este tempo foi despertando a vocação sacerdotal. Ao longo do segundo e terceiro ano do ensino médio comecei ir para o seminário durante um final de semana por mês para conhecer o ambiente, os padres e os futuros colegas. Então em 1986 entrei para o seminário São José, de Gravataí, e no ano seguinte no Nossa Senhora da Conceição, de Viamão, onde permaneci por sete anos no internato cursando Filosofia e Teologia.

Regional: Qual foi sua trajetória até chegar a nossa paróquia?

Padre Miguel: Na época do estágio em 1994 eu vim pra Tapes, quando pela primeira vez conheci a região. Morei um ano ali e em 1995 recebi a ordenação de diácono. Em 20 de janeiro de 1996 fui ordenado presbítero na minha comunidade de origem onde cresci. Fui designado para o primeiro trabalho em Camaquã onde fiquei por 20 meses. Depois por três meses fui para a paróquia imaculado Coração de Maria, em Esteio, e em 1998 fui para Barra do Ribeiro, onde tive minha primeira experiência como pároco e permaneci lá por dez anos. Então em 2008 o Sr. Bispo me designou para Cerro Grande do Sul.

Regional: Conte um pouco dessa sua chegada na paróquia.

Padre Miguel: Vim meio assustado pra cá. Tinha algumas informações de que era uma paróquia extensa e de comunidades grandes, onde teriam muitas caminhadas.

O grande desafio que tive de início, mas que também via com alegria, é que aqui me antecedeu o padre Ângelo, que imprimiu marca nesta comunidade nestes nove anos em que esteve à frebte da paróquia. Então eu senti bastante isso no início, pois as pessoas falavam do padre Ângelo como se eu não existisse. Mas com muita paciência eu fui trabalhando isso com as pessoas e me integrando na comunidade, sempre respeitando a caminhada muito importante que o padre Ângelo fez aqui e tudo o que ele edificou. Aos poucos fui conquistando espaço nas comunidades em um processo natural com o passar do tempo.

Regional: Em que momento o Sr. se identificou com esta comunidade?

Padre Miguel: A partir de 2010 eu senti que já havia conquistado meu espaço na comunidade e então me senti em casa, quando começou a ter outro ambiente interno e me vi acolhido dentro da paróquia.

Regional: Na condução da paróquia teve algum desafio?

Padre Miguel: Sempre tive a colaboração muito grande da comunidade, das pastorais, dos ministros. Todas boas equipes. Conseguimos sempre dar a orientação e transmitir esse espírito de igreja que é muito importante. Aqui tem uma característica muito forte que são as festas das comunidades que além de integrar as pessoas também é a fonte de renda para manter as obras. A comunidade anda por si e tem disposição. Isso é muito importante

Regional: O que o marcou neste tempo nesta paróquia?

Padre Miguel: A devoção à Nossa Senhora é uma característica que chama a atenção com a Romaria das Capelinhas, que já existia, mas que a cada ano se tornou mais forte criando contornos maravilhosos.

Também lembro com carinho que tive problemas de saúde com o enfrentamento de um câncer e pude ver o quanto as pessoas se preocuparam, rezaram, fizeram novenas e estiveram o tempo todo dando apoio para que tudo desse certo e felizmente deu. Estamos aí curados. Sentir esse carinho é muito gratificante e vou levar isso pra vida toda.

Regional: Como o Sr. gostaria de se despedir?

Padre Miguel: Eu sou o 11º pároco que passou por Cerro Grande do Sul e a paróquia permanece com seus fiéis. Os padres estão aqui de passagem vivendo seu ministério para esta comunidade. Agora vem outro padre e espero que seja bem recebido e que também se sinta acolhido aqui para que possa continuar prestando esse serviço à Deus, à igreja e às pessoas.

Quero externar minha gratidão a todas as pessoas com a quais tive a oportunidade de conviver nesta paróquia, seja pela palavra, pelo testemunho, pelo sacramento, as enlutadas, a todos que de algum modo foram tocados pela fé. Quero agradecer a confiança que todos tiveram na igreja e a acolhida que me ofereceram. Foi uma alegria muito grande conviver aqui com todos nestes treze anos.