Está sendo debatido o possível reinício das aulas presenciais nas escolas estaduais em Cerro Grande do Sul, no próximo dia 31 de maio.

A informação é do grupo de diretores das instituições no município que afirma que a ordem partiu da 12ª Coordenadoria Estadual de Educação (CRE) para que as atividades presenciais sejam retomadas, seguindo os protocolos de segurança contra a Covid-19, de acordo com os planos de contingência elaborados por cada escola, os quais foram exigidos e aprovados pela coordenadoria.

O assunto ainda divide opiniões uma vez que são diversos os fatores que interferem na efetividade desta decisão, incluindo a preocupação de diretores, professores, pais e funcionários da comunidade escolar com a vacinação que ainda não atingiu este público e com a deficiência estrutural e humana.

Na escola Mem de Sá, na sede municipal, única com ensino médio e que atende o maior número de alunos no município, os preparativos para receber os estudantes já estão adiantados, de acordo com a diretora Nara Raphaelli.

“Nesta semana já dedetizamos toda a escola, esvaziamos e limpamos as caixas d’água, conversamos com os vigilantes e toda a equipe de funcionários que estão preparados para desempenhar suas tarefas de acordo com os novos protocolos”, garantiu a diretora.

Nara entende que é possível haver aulas presenciais de modo seguro e que é muito importante para a qualidade do ensino que os estudantes possam ter esse contato presencial com os professores.

“Já temos uma perda irreparável na educação e quanto mais tempo passarmos sem aulas presenciais maior será esse prejuízo”, considerou.

Já a diretora da escola Maria de Jesus Schumacher, da localidade de Brasino, Cheila Trescastro, teme pela saúde dos estudantes, considerando falta de recursos humanos para atender a demanda da escola.

“Temos material disponível para proteção, mas não temos servidores suficientes, sobretudo pra fazer o monitoramento das crianças e a higienização da escola. Estamos com muito medo deste retorno no inverno com gripe e Covid-19. Como diferenciar isso nas crianças, sendo que os testes levam uma semana para mostrar resultados?” questiona a diretora.

Sala de aula na escola Manoela Alves Pacheco, em Pessegueiros

A diretora da escola Manuela Alves Pacheco, de Pessegueiros, Fernanda Hoff Pacheco, garante que está preparando a escola de acordo com as exigências estaduais para receber os alunos, contudo também demonstra preocupação com os detalhes estruturais e afirma que deverá se certificar que esteja tudo em ordem para retomar o ensino presencial, inclusive a aferição do Centro de Operações de Emergência em Saúde e Educação – COE-E Municipal.

Município vai cobrar estrutura

A rede municipal de ensino seguirá com atividades remotas, afirmou o secretário municipal de Educação e Cultura, Julio Cesar Doze. Ele acrescentou que devido a novas determinações do Governo do Estado, o município perdeu a autonomia de interferir na decisão estadual.

Porém a questão é controversa e gerou disputa jurídica, uma vez que existem entendimentos que os decretos municipais estão amparados em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que deu autonomia a Estados e Municípios para adotarem medidas mais restritivas no combate à pandemia.

Doze garante que segue defendendo a decisão tomada em reunião ocorrida no município no último dia 05 de maio, quando diretores das escolas municipais e estaduais, e representantes da Saúde municipal decidiram por unanimidade que as aulas presenciais seguiriam suspensas no município

O secretário afirma que “não roeu a corda” e que está preocupado, com este possível reinício de atividades presenciais neste momento que coincide com a chegada do inverno e que os índices de contaminação por coronavírus no município têm aumentado bastante nos últimos dias, conforme apontam os boletins emitidos pela secretaria municipal de Saúde.

Uma nova reunião entre o secretário e os diretores das escolas estaduais está agendada para ocorrer na segunda-feira (24) para debater questões estruturais, contudo Doze já adiantou que o município deve formar uma comissão de fiscalização que fará visitas às escolas para garantir que as atividades presenciais só sejam retomadas se atendidas todas as exigências protocolares de segurança contra a Covid-19, incluindo disponibilidade de recursos humanos.

Quanto ao transporte escolar o secretário garantiu que o município já cuidou da questão e que este estará garantido caso seja necessário, incluindo monitores nos veículos para garantir o distanciamento entre os estudantes e munidos de termômetros para aferir temperaturas.

Governo do Estado insiste na volta

Em uma videoconferência que participou na última terça-feira, 18 de maio, o governador Eduardo Leite afirmou que adotará recursos administrativos e judiciais para garantir que as aulas presenciais ocorram em todo o território gaúcho.

“Não é compreensível que prefeitos admitam outras atividades e abram mão de ter as crianças cuidadas, sendo estimuladas como deveriam em escolas que estão aí pra isso”, defendeu Eduardo Leite.

Como deve ser num possível retorno

De acordo com os planos de contingência elaborados pelas escolas estaduais as aulas presenciais ocorrerão respeitando o distanciamento, com turmas reduzidas e escalonadas em rodízios. As atividades à distância continuarão sendo necessárias já que os estudantes não vão frequentar a escola diariamente.

As aulas deverão ter duração de três horas, com intervalos monitorados em sala de aula, assim como a merenda que será servida na sala de aula, individualmente.

Na chegada à escola os estudantes deverão ter a temperatura aferida e receberão máscaras de proteção descartáveis. Banheiros, corredores e demais ambientes escolares terão espaços demarcados para orientar a circulação em distanciamento.