Os primeiros casos no Rio Grande do Sul foram confirmados na semana passada em nota técnica divulgada  pela Secretaria da Saúde (SES). São sete casos que tiveram início de sintomas entre a primeira e a última semana de agosto. Seis deles foram em residentes em Porto Alegre e um em Dois Irmãos. As medidas de bloqueio, com a vacinação de contatos próximos, já foram realizadas pelos municípios. Todos possuem histórico de viagem a locais com circulação do vírus (São Paulo e Europa) ou vinculação a esses, por isso são considerados importados.

Sarampo é uma doença infecciosa grave, causada por um vírus. Sua transmissão ocorre quando o doente tosse, fala, espirra ou respira próximo de outras pessoas. Qualquer indivíduo que apresentar febre e manchas no corpo (exantemas) acompanhado de tosse, coriza ou conjuntivite deve procurar os serviços de saúde para a investigação, principalmente aqueles que estiveram nos 30 dias anteriores em viagem a locais com circulação do vírus. No Brasil, são 2,7 mil casos somente nos últimos 30 dias, mais de 98% deles em São Paulo. Casos suspeitos devem ser informados imediatamente às Secretarias Municipais de Saúde ou para o Disque Vigilância, por intermédio do número 150.

O primeiro caso do ano no RS foi de uma jovem de 18 anos, residente em Porto Alegre, que em julho esteve em viagem à Itália e São Paulo, dois locais onde há a circulação do vírus. Apesar dos sintomas, ela não teve o diagnóstico inicial para sarampo. O caso foi identificado após a confirmação de outros três com os quais ela teve contato e que residem na mesma moradia: duas delas também de 18 anos e uma de 25. Assim que houve as confirmações, a vigilância do município realizou uma ação de bloqueio, com a vacinação de 53 pessoas (contatos próximos) que não estavam vacinados e nenhum apresentava sintomas da doença.

Outros dois homens residentes em Porto Alegre, de 21 e 30 anos, também tiveram o sarampo confirmado após viagens a São Paulo. O mais velho, inclusive, relatou contato com colegas de trabalho que posteriormente confirmaram a doença. Nos dois episódios a vigilância da Capital também realizou ações de bloqueio, com a vacinação e acompanhamento de mais de 90 pessoas, todas sem sintomas. Por último, uma jovem de 21 anos, de Dois Irmãos, também com histórico de viagem a São Paulo no último mês, teve o caso confirmado. A Secretaria de Saúde do município acompanha 14 contatos da pessoa, todos assintomáticos.

A mais efetiva forma de prevenção é a vacinação. Para ser considerada vacinada, a pessoa precisa ter o registro em caderneta de vacinação conforme esquema vacinal. A rede pública de saúde disponibiliza gratuitamente vacinas com componente sarampo (Dupla Viral/Tríplice Viral/ Tetra Viral) à população de 6 meses a 49 anos de idade e para profissionais de saúde e demais pessoas envolvidas na assistência à saúde hospitalar.

São consideradas vacinadas:

– Pessoas de 12 meses a 29 anos que comprovem duas doses de vacina com componente sarampo;

– Pessoas de 30 a 49 anos que comprovem uma dose de vacina com componente sarampo;

– Profissionais de saúde, independente da idade, que comprovem duas doses de vacina com o componente sarampo.

– Observação: conforme orientações do Ministério da Saúde, crianças de seis meses a 11 meses de idade deverão receber dose zero contra sarampo, mantendo- se o preconizado pelo calendário vacinal a partir dos 12 meses.

Há 20 anos o Rio Grande do Sul não registra casos autóctones de sarampo. Depois de 1999, todos as confirmações são referentes a pessoas que pegaram a doença em viagem ao exterior ou a outros estados ou que tinham ligação com essas. Por isso, as cadeias de transmissão são consideradas importadas.

Histórico do sarampo no RS:

2019: 7 casos (até 10/09)

2018: 47 casos

2012-2017: sem casos registrados

2011: 8 casos

2010: 7 casos

1999: último caso autóctone do RS