Os produtores de tabaco vivem de incertezas a cada safra e uma delas tem sido o preço de comercialização da produção, que é definido por meio de negociações entre empresas fumageiras e entidades representativas dos produtores, a partir de cálculos do custo de produção, variação cambial, entre outros fatores que balizam a tabela de preços.

Os últimos encontros para tratar do assunto não têm acabado em consenso, mas sim gerado um clima de discórdia entre as partes. Nesta semana a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul -FETAG-RS emitiu uma nota que afirma que o preço pago pelas indústrias ao produtor pela safra 2020/2021 está abaixo do custo de produção e que a negociação do preço é “desrespeitosa”.

Confira a nota na íntegra

“A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul -FETAG-RS e os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais vêm a público prestar esclarecimentos sobre a negociação entre as entidades representativas dos produtores de tabaco e as indústrias sobre o preço pago ao produtor pela safra 2020/2021.

A negociação do preço do tabaco ano após ano traz decepção aos produtores, visto que as indústrias não valorizam o trabalho e a produção das famílias. Neste ano, as indústrias apresentaram uma tabela de negociação com valores de reajuste abaixo do custo de produção. Vale ressaltar que o custo de produção apresentado foi construído pelas empresas, de acordo cm suas referências de mercado. Neste aspecto, o custo de produção elaborado pelas entidades representativas dos produtores não foi levado em consideração na negociação.

Para reforçar o descaso com os produtores, uma das empresas apresentou tabela desproporcional, pressionando as entidades para assinarem o protocolo de negociação condicionando a uma proposta de reajuste maior, sendo que se as entidades não assinassem, o reajuste diminuiria.

A FETAG-RS não concorda com a atitude das empresas, vendo como forma de desrespeito as propostas colocadas à discussão, pois elas não dialogam com a realidade vivenciada pelos produtores. Neste mesmo aspecto, a Federação reforça que tabelas de custos de produção e reajustes diferentes entre empresas acirram o distanciamento da cadeia produtiva.

Somado a tudo o que já foi citado, as empresas reclamaram que a representação dos produtores tornou público os valores apresentados durante as negociações, como se quisessem esconder os vergonhosos valores que foram propostos. Caso considerassem os valores justos e adequados à realidade, não iram se opor à divulgação.

A FETAG-RS, por entender que o produtor é o maior interessado nesta situação, acredita que este tem o direito de saber o quanto a empresa que ele está ligado oferece pelo seu produto, sua dedicação e seu trabalho. A Federação exige respeito ao produtor e se mantêm aberta ao diálogo, desde que sejam apresentadas novas propostas que satisfaçam aos interesses das famílias que, com muito suor, produzem com excelência.

Ressaltamos que a FETAG-RS está atuando incansavelmente. Como forma de ampliar o diálogo, a Frente Parlamentar em Defesa dos Produtores de Tabaco da Assembleia Legislativa foi acionada para que ajude a sensibilizar as empresas, mostrando a importância de rever seus posicionamentos.

Ainda, a FETAG-RS e os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, através da Comissão Estadual do Tabaco, seguem acompanhando a situação e exigindo que novas propostas, agora realistas, sejam apresentadas.

Ao produtor, a orientação é para que ele analise a quantidade que irá plantar na próxima safra antes de efetuar o pedido das mudas, pois este fator regula a oferta de mercado. Também é importante que o produtor acompanhe, na medida do possível, a venda de seu produto nas empresas e, caso acredite que o valor pago não está sendo justo, solicite a presença do classificador da Emater no local.

A FETAG-RS solicita que o produtor mantenha o Sindicato do Trabalhadores Rurais informado sobre o andamento das compras, pois estes elementos são fundamentais para as negociações serem efetivas.

Produtor: o sindicato é a sua casa. Procure sempre que precisar de auxílio”.