As plantações de fumo de inverno têm sido submetidas ao teste da geada nestes dias frios na região, sobretudo nesta segunda-feira (14) e terça-feira (15) quando a paisagem de campos e lavouras foram modificadas pelo gelo que se formou na madrugada.

Os efeitos causados foram diferentes em cultivos de uns produtores e de outros, e do mesmo modo produziram opiniões diversas sobre a alternativa de renda.

Em Mato Bier, interior de Sertão Santana a visão da lavoura nas primeiras horas da manhã assustou o produtor Rodrigo Santos ao ver a enorme geada que cobria toda sua plantação.

“Será que vai aguentar”, foi a legenda da foto postada pelo produtor no Facebook logo cedo. Contudo com o passar das horas e o dia ensolarado que seguiu, as plantas reagiram bem e já no meio da tarde estavam recuperadas, quando o produtor postou uma nova foto, agora com a legenda: “depois da geada só vem”.

Lavoura de Rodrigo pela manhã e a tarde

Rodrigo plantou 40 mil pés de fumo de inverno, tendo iniciado a planta em 03 de abril. Ele já fez uma apanha do baixeiro que está secando na estufa e está confiante na produção, sendo que espera colher uma média de 10 arrobas por cada mil pés de plantas.

Já na Estrada do Formoso, interior de Cerro Grande do Sul, o produtor Eder Rackow Bierhals não está satisfeito com sua lavoura experimental de 3 mil pés de fumo de inverno.

A plantação que completou 80 dias, nesta quarta-feira (15) sofreu bastante com a geada e diversas folhas ficaram queimadas. Os efeitos do gelo devem comprometer a produtividade e a qualidade final do fumo, fatores que interferem diretamente para a diminuição do valor de comercialização do produto.

Eder afirma que vai seguir com o cultivo de verão e que não deve mais apostar no cultivo de fumo no inverno. “Fiz todo tratamento que deve ser feito. Vira tudo em despesas. Isso se o fumo se recuperar”, comentou.

Na galeria o fumo de Eder Rackow Bierhals

Na página do Facebook “Produtor de Tabaco RS SC PR” o debate também pegou preço. Alguns produtores exibiram fotos de suas plantações garantido que o fumo resiste as baixas temperaturas e que resulta em uma boa alternativa de renda. Já outros agricultores afirmam terem tido más experiências com as plantações e que a ambição por mais produção acaba interferindo negativamente na comercialização geral do produto.

Existem diversas variedades de fumo que se cultivam no inverno, as quais em quase nada diferem das de verão. Algumas são indicadas pelas empresas mutualistas através de seus orientadores. De outra forma os próprios produtores buscam estas alternativas com vizinhos ou conhecidos. Esta variação e as condições dos microclimas da região também interferem nos efeitos que a planta sofre.