Na edição impressa do Regional que circulou dia 29 de junho, trouxe um pouco da história da Sociedade Beneficente Cultural Gravatá que está localizada na linha Capitão Garcia, aproximadamente 15km do centro de Sertão Santana e agora nosso site trás para as redes sociais.

Quem colabora com preciosas informações são alguns dos ex jogadores da entidade, Zenar Storck, que muito se envolveu nas atividades da sociedade Cultural Gravatá, conversamos também com os irmãos Enio de Souza Tavares e Sidio Tavares, bem como Olavo Paulino e Bino Eckert.

A data oficial de fundação da entidade é datada de 1966, mas a formação da entidade já teria se formando uns dois anos antes por volta de 1964, e seu registro foi feito em 1992.

O início

Como de costume na época uma das atividades bastante apreciada pelos moradores era o futebol, então um grupo de jovens decidiu organizar um campinho para jogar bola, no qual as goleiras eram feitas de bambu, também segundo relatos a aquisição da bola de futebol foi da contribuição de cada um, como tinha muitos jovens para jogar aquele que não ajudou a custear a bola, este teria que esperar uma vaga, o que de vez em quando acontecia.

A junção de dois times

Outro fato importante a se registrar nesta época foi a junção de duas equipes, pois além da equipe que se formava no Gravatá teve também uma equipe que jogava futebol no campo do saudoso Gustavo Krieger, em Maravalha, chegando a realizar poucos amistosos entre estas duas equipes, em seguida vieram todos a compor a equipe do Gravatá, também foi citado como um mediador saudoso Astor Rabuski.

Lembranças:

Um fato lembrado por nossos entrevistados foi quando Gustavo Krieger como forma de incentivar os jovens da época a praticar futebol, disse que participaria do jogo da gurizada e atacou no gol, onde na oportunidade estava de bombacha e chinelo de dedo, na verdade muitos jovens atletas jogavam de pé no chão, pois bem,  seu time ganhava de 2 x 0, daqui a pouco tomou um gol, e já se indignou, tomou o segundo gol e já não estava mais gostando do jogo e quando tomou o terceiro gol, ele desistiu do jogo e saiu de campo, abrindo lugar para outro…, um fato lembrado com carinho e risadas pelos ex atletas.

 

Surgimento do Gravatá

O campo foi montado nas terras do saudoso Guilherme Eckert, hoje pertencente ao seu filho Arnaldo Eckert, e com o tempo o campinho começou a ganhar vida, começaram a realizar amistosos, e já se tinha uma carrocinha em forma de tenda para vender os comes e bebes, esta carrocinha ficava sempre em baixo dos pés de eucalipto. O time até então, não se tinha nome; como o próprio Zenar nos relatou era um time clandestino, pois o grupo começou a pensar em um nome e perceberam que ali perto existia o time do Tiririca nome dado pela vegetação, então decidiram de dar o nome do time de “Gravatá” pela vegetação na localidade, até se sugeriu outros nomes, como Eucalipto, mas não pegou.

Bino Eckert um dos entrevistados também lembrou que para gelar a bebida na época era diferente, como não havia geladeira, um pouco pra lá do clube havia uma vertente onde eles fizeram uma cacimba e ali se colocava a bebida dentro da água para gelar, e todos ficavam satisfeitos.

Saudoso Guilherme Eckert 

 

Com o tempo as coisas foram evoluindo então se decidiu de fazer um pequeno pavilhão, e aí sim o grupo decidiu fazer uma sociedade, as terras já tinham sido doadas pelo Guilherme Eckert, e o personagem que incentivou a criação do Clube foi o saudoso Waldemar Schwalm que inclusive fez parte da diretoria da sociedade onde em 1966, ano da fundação, foi o primeiro presidente da entidade ao lado do Tesoureiro o saudoso Delmar Storck, a Sociedade Beneficente e Cultural Gravatá foi fundada em 9 de fevereiro de 1966, com sede na Linha Capitão Garcia, na época distrito de Barão do Triunfo no município de São Jerônimo, hoje Sertão Santana. Waldemar foi muito elogiado pelos ex atletas pela grande dedicação que tinha, sempre auxiliando e ajudando a equipe no que fosse possível, praticamente todos os domingos nesse tempo Waldemar estava lá no Gravatá, assim também foi elogiado o Primeiro Tesoureiro Delmar Storck que demonstrou um grande carinho pela Sociedade Gravatá.

Doação do campo

Outro fato lembrado pelo ex jogador Bino Eckert foi quanto a doação do campo.

“Na época meu pai o Guilherme Eckert foi questionado, se doasse o campo, nunca mais podia tirar, aí ele disse que não precisava lhe devolver pois tinha muita gente que não podia participar das festas de igrejas e clubes pois considerava (Chucros) e no espaço onde hoje é o Gravata o pessoal vai vim jogar e brigar a soco e aí vai se amansando…” lembrou Bino em meio a risadas.

 

 

Primeiro Natal na Sociedade

Em 1987, realizou-se o primeiro natal na Sociedade Beneficente Cultural Gravatá, com a participação de pais e crianças da comunidade para prestigiarem a chegada do papai Noel, que muito alegrou os pequenos da época, chegando sempre em uma carroça ou em uma tobata e distribuindo doces e alegria para as crianças.

Abaixo fotos da visita do Papai Noel na entidade.

Já as festas da entidade começaram a ser realizadas no ano de 1967, com muito esforço e dedicação da comunidade, que via crescer o número de simpatizantes e associados na Associação. O lucro de cada festa era investido no local, com tempo foi se ampliando construído cancha de bocha, mesa de snoker, churrasqueiras, cozinha um amplo espaço para dançar e se divertir. Responsável por cuidar da entidade durantes as noites era o próprio presidente ou o tesoureiro.

 

Equipe de Futebol do Gravatá de 1972

Em pé: Arnaldo Eckert, Olavo Paulino, Arno Eckert, Célio Eckert, Elbio oliveira da Silva, Hélio de Souza Tavares, Ivo Krieger Agachados: Zenar Storck, Bertoldo Eckert, Helio Krieger, Julio Paulino e Enio de Souza Tavares

Foi com muito carinho que Zenar Storck, Enio de Souza Tavares e Olavo (Tito) lembraram dos tempos de futebol da equipe do Gravatá a qual fizeram parte, o time na época era muito respeitado, chegando a participar de oito torneios e em cada um deles sendo campeão.

“Nós chegávamos e olhávamos para ao troféu e dizia, aquela ali nós vamos levar…” comentou Zenar

“Que época boa pena que não volta mais, quase todos os finais de semana havia jogo, éramos os melhores da região, muita amizade e conhecimento…” lembrou Enio Souza Tavares.

“Eu sempre dizia para os colegas, fazer a bola rola, sempre com a bola no chão, desta forma aos poucos foi surgindo o crescimento e técnica do time, alguns jogadores após olhar determinados jogos na televisão vinha conversa para colocarmos em prática algumas jogadas…” explicou Olavo.

Olavo que foi treinador por alguns anos do Gravatá lembrou também que se tinha muito respeito naquela época, homens casados levavam suas mulheres e crianças, todos de caminhão para os amistosos de futebol e ninguém mexia com ninguém e se fazia uma torcida sadia.

“Os melhores cabeceadores que eu vi, a não ser em jogos oficiais, foi o Arnaldo Eckert, ele era daqueles que quando a bola vinha ele embalava e cabeceava com força, era uma bala, e o gol garantido, também destaque para o Arno Eckert melhor que muitos profissionais que ganham milhões e nem um gol de cabeça sabem fazer, um cara que nem o Arno ele nem precisa encostar o pé na bola era só lançar para ele, meu reconhecimento a estes dois atletas…” lembrou Bino que destacou que todos os domingos se treinava escanteios.

Já o ex atleta Enio, destacou que também foi treinador do Gravatá por mais de um ano e guarda com carinho um jornal da época que foi campeão no final de 2005 quando venceu a equipe do União por 2 x 1, obteve muitas outras conquistas com a forte equipe do Gravatá, em todo tempo como treinador perdeu somente uma partida.

Já o atleta Sidi irmão de Enio, participou mais de jogos na década de 80, e lembra com carinho dos jogos, e destacou que o futebol dos últimos tempo tem perdido um pouco a presença de público, talvez por hoje em dia ser tudo mais cômodo para viajar, em seu tempo era muito difícil e todos os finais de semana. “Lembro que o público se concentrava no campo do Gravatá para assistir a gente jogar parecia uma grande festa” lembrou Sidi.

 

Bino em entrevista lembrou de algumas situações antes de assumir como presidente, foi cogitado o fechamento da entidade.

“…Eu disse tem que fechar mesmo, se é algo que foi doado, depois trabalhando e deixando dinheiro em caixa e agora chega num ponto que não dá mais para tocar, tem mais que fechar…” lembrou indignado com a situação da época. Ainda em reunião realizada dias depois, Bino acabou ficando de presidente junto com Zenar Storck como Tesoureiro, após a presidência de Bino o presidente eleito que assume até os dias de hoje é Carlos José o (Neni) e o Tesoureiro Claito Krieger.

“Meu pai o Guilherme Eckert, (falecido), e seus filhos bem encaminhado na vida, ninguém quer nada da entidade, para minha mãe ainda é orgulho que se tem a Sociedade do Gravatá e não é aquilo que vai fazer falta para nós, pois a intenção foi de deixar as pessoas se divertirem bem como as próximas gerações que virão…” finalizou Bino Eckert.

 

 Amistoso com time de Canoas ficou na história

Em muitos dos casos em que a equipe passou, Zenar e Enio lembraram de um em especial quando foram para um amistoso em Matias Velho Canoas, onde na equipe adversário tinha dois atletas que jogavam na equipe do Aimoré, e um conhecido da equipe frisou, “Vocês não têm medo de levar uma goleada, esses caras não empatam com ninguém…”

“E quando iniciou o jogo fizemos 2 x 0 de saída, com gol relâmpago de Enio, e eles ficaram louco, no intervalo a torcida deles pagavam cerveja pra nós, e de fato o time deles era muito bom e eles tinham peças boas no banco e nós não tinha ninguém pra trocar, e no final eles conseguiram o empate, mas eles ficaram muito impressionados como um time como o nosso do interior podia jogar daquela maneira…” lembrou Zenar.

O transporte da época era, caminhão, todos pagavam sua passagem, e nos torneios também cada um pagava seu almoço.

Bocha

Algumas fotos que marcaram o Gravatá levantando o troféu de Bocha:

Campeão Municipal de 1998

Em pé: Vanderlei, Olavo, Carlos, Eraldo, Vilmar, Flávio.
Agachados: Alcides, Roberto, Alfredo(Suda), Marcos, Lauro.

Campeão Municipal de duplas

Em pé: Gilmar, Albino, Alcides, Armin, Dércio, Lírio, Celso. Agachados: Edgar, Lauro, Airton.

Campeão Municipal de 2019

Lavinho, Dercio, Silvio, Armim, Martelinho, Carlos, Samuel, na frente do troféu o presidente Neni, Marcio, Luciano e Leca

 

Comunidade em evento realizado na entidade

Abaixo ex atletas que estiveram colaborando com preciosas informações para que se pudesse resgatar um pouco da história do Gravatá. Aqui ficou um resumo de toda a conversa O Regional procurou colocar resumidamente um pouco da fala de cada ex atleta.

Matéria Gildomar Avila Medeiros (Figura)