Por Fábia Richter – Enfermeira e Gestora

A pandemia nos deixará marcas que não conseguiremos esquecer.

Muitos vazios conseguimos ver claramente, como os buracos nas famílias pela falta do pai, da mãe ou de um filho. Na economia, enxergamos os pequenos negócios fechados nos centros das cidades. Isso tudo, infelizmente, é de fácil percepção. Agora, medo, dor, preocupação, angústia e depressão são invisíveis e silenciosos. Essas são algumas das causas resultantes das perdas e dos prejuízos mencionados.

São dores e sofrimentos da alma. E setembro está aí para nos alertar desses problemas silenciosos, mas extremamente dolorosos. Não por acaso chamamos de Setembro Amarelo; a cor chamativa é justamente para nos chamar a atenção para o suicídio e de como precisamos estar atentos a esse risco. O Estado do Rio Grande do Sul apresentou uma nova linha de pensamento nesse ano. Não vamos falar com relevância para não dar ideia a esse mal. Precisamos ressaltar a vida, de que o pior está passando, e que as pessoas necessitam olhar para o futuro e se reconstruir para enfrentar as dificuldades e os prejuízos.

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Essa ideia é bem assertiva! É tempo de se reconstruir. Olhar a si mesmo, se ouvir e pedir socorro se for necessário. Temos que ser fortes sempre, mas não o tempo todo. É possível, em algum momento, se ter grandes dificuldades de não conseguirmos enfrentar sozinhos um eventual problema. É para isso que a família, os amigos e os profissionais da saúde existem. Mas, sobretudo, existe DEUS e temos que ter fé Nele. Eu tenho muita fé, pois ela nos dá força espiritual para seguir; porém, é a confiança em Deus que nos testa. Confiamos realmente que tem saída? Se a resposta for sim, não podemos nos desesperar, temos que “fincar os pés no chão e aguentar o repuxo”, como se diz aqui no Sul.

Os profissionais da saúde servem muito para o apoio. Chás e medicamentos são instrumentos que não podem ser desconsiderados; eles ajudam a pensar melhor e servem, sim, muito como facilitadores. Mas a grande força deve vir de dentro de cada um de nós. Nosso maior ganho sempre está dentro de nós, e sempre se tem um jeito, independentemente do problema.

Estejamos atentos em não perder a confiança em Deus e em nós. E não deixemos de olhar as pessoas que amamos, sejam nossos colegas de trabalho, vizinhos ou familiares, pois alguns sinais podem nos indicar que algo não está bem; se suportamos a pandemia, tenho que certeza que vamos suportar com muita energia os rescaldos causados por ela. Fiquem com Deus.