O morador de Sertão Santana o professor aposentado André Iplinski, realizou no mês de outubro um grande sonho, adquiriu uma grande relíquia, uma moto Vespa M4 ano de 1962. O desejo e a admiração por esta motocicleta já vêm desde o tempo de jovem, pois conviveu vendo amigos e conhecidos com suas Lambretas e Vespas passeando. Em conversa com o Regional destacou as muitas viagens que fazia de Barra do Ribeiro a Sertão Santana com seu tio, o Padre André Rybarczyk quando este vinha ministrar as missas na cidade de Sertão Santana, o meio de locomoção era a Vespa, uma curiosidade é que nesta moto o caroneiro senta normal como nas motos atuais, contudo já as mulheres sentavam de lado para não abrirem as pernas (costume da época). Para elas sentarem de lado existia um acessório lateral que se comprava para apoiar os pés.

Pois bem, em um certo dia no almoço em família André comentou seu desejo de adquirir uma Vespa, seu filho Joseano iniciou uma busca pela internet, dias depois após acharem um modelo impecável, fechou negócio com um colecionador e este já era conhecido da família e só vendeu porque sabia que André realmente usaria a Vespa e não a revenderia.

A moto que tem uma semelhança a uma vespa, é uma grande sensação André usa ela praticamente todos os dias dentro da cidade, e onde ele vai conquista a curiosidade e amizade de muitas pessoas, alguns ainda confundem a vespa com a Lambreta, na cidade muitos também pedem para tirar foto junto a moto, visto que não é muito comum esta motocicleta na região.

André juntamente com esposa e filho em cima a de sua motocicleta Vespa

 

 

 

 

História da Vespa

André explicou que com o fim da segunda guerra, Enrico Piaggio buscava reerguer sua fábrica de equipamentos para aeronaves que tinha sido bombardeada em 1944 pelos aliados devido à sua importância militar e estratégica.

Com a precariedade das estradas e o baixo poder de compra italiano, Enrico Piaggio, procurou o designer aeronáutico Corradino D’Ascanio para desenvolver um veículo de duas rodas simples e econômico, se inspirando nas pequenas rodas de trem de pouso de aviões bombardeiros, e motores dois tempos multiuso para lançamento de aviões que tinham disponível na fábrica.

Corradino D’Ascanio não gostava muito de motocicletas, segundo ele, as motos eram desconfortáveis, difíceis de pilotar e a corrente ainda sujava as mãos de óleo, dessa forma procurou corrigir todos os inconvenientes que as motocicletas causavam na época. Usando sua experiência em tecnologia aeronáutica, desenvolveu uma scooter com um quadro mono-coque (termo francês para “casco único”) com seção central baixa, facilitando o uso de mulheres com saia e pessoas de baixa estatura, a scooter também contava com o câmbio e a embreagem montados na manopla esquerda eliminando o pedal de câmbio que sujava e marcava os sapatos, um escudo frontal para proteger as roupas da chuva e poeira. Para corrigir o problema com furos de pneu, optou por colocar um estepe, as rodas também são presas apenas de um lado do cubo para facilitar a troca. Como as correntes eram difíceis de serem encontradas na Itália, foi usada a transmissão direta, o motor era montado junto a roda traseira dispensando a corrente de transmissão, isso acabou gerando uma instabilidade uma vez que o peso do motor fica concentrado no lado direito. Para corrigir esse problema, a roda dianteira foi deslocada 8mm a esquerda do eixo de direção.

Ao ver o protótipo, Enrico Piaggio exclamou “Sembra una vespa!” (parece uma vespa), fazendo referência ao inseto, pela estética e por causa do som de seu motor 2 tempos com ventoinha de arrefecimento, que mais parece um zumbido. E acabou assim por ser batizada, tendo seu primeiro modelo fabricado em 1946.

O sucesso da Vespa fez com que ela fosse produzida em diversos países, incluindo o Brasil. A Vespa foi montada pela primeira vez em terras tupiniquins em 1958 pela empresa Panauto S.A., empresa sediada em Santa Cruz, no antigo estado da Guanabara (hoje Rio de Janeiro). O primeiro modelo lançado pela Panauto foi a Vespa M3 (3 marchas), equivalente ao modelo italiano VB1T.

No segundo semestre de 1962 foi lançado a Vespa modelo M4 (4 marchas), com a mesma mecânica da M3 mas utilizando peças de câmbio do modelo VBB1T italiano. Visualmente era igual a M3, com pequenas diferenças tais como a lanterna traseira mudada para o modelo “nariz do papa” já com a luz de freio incorporada.

Em 1964, devido a situação financeira local e também pelos altíssimos custos de importação e a Piaggio, a Panauto precisou encerrar sua produção.

A vespa M4 possui motor 2t 150cc com potência de 5,4hp, velocidade máxima de 80Km/h e tanque com capacidade de 8,2l.