Foi numa cerimônia discreta (e nem por isso, menos importante) que 55 homens e mulheres, das mais variadas idades, celebraram a  formatura no 47º curso de Delegado de Polícia da Polícia Civil gaúcha, na tarde de quarta-feira (02). O evento, no auditório principal do Palácio da Polícia, sede administrativa da Instituição, em Porto Alegre, foi cercado de cuidados, como o uso obrigatório de EPIS e o distanciamento de 2 metros entre uma cadeira e outra, além da ausência de familiares e amigos, que tiveram que assistir a formatura pela internet – medidas que, a despeito da alegria dos formandos, não deixam esquecer a situação enfrentada em todo país em função da Covid-19.

Aliás, a pandemia também será um desafio para esses novos delegados que, além do trabalho voltado à elucidação de fatos criminais, assumem a administração de órgãos policiais na região metropolitana e no interior do Estado.
Patrono escolhido pelos novos servidores, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, pontuou a importância do serviço público para a sociedade gaúcha e ponderou que o ingresso na carreira policial não pode ser considerada uma vaga de emprego. “Falo em nome de 11,5 milhões de gaúchos que agradecem o desapego de cada um de vocês e depositam toda confiança e expectativa na missão de servir e proteger da qual vocês se revestem agora”, garantiu o Governador, pedindo aos novos delegados que assumam suas tarefas com firmeza, mas também empatia e compaixão às mazelas humanas. “Enfrentamos sem parar a guerra contra a pandemia, porque outra guerra, que também não dá trégua, ainda deve ser travada, a guerra diária contra o crime, a guerra que passa a ser também a de vocês”.

Já o Vice-Governador e Secretário da Segurança Pública do Estado, delegado Ranolfo Vieira Júnior, falou sobre a atividade diferenciada da polícia e sintetizou o “ser policial” em uma palavra: comprometimento. “Esqueçam feriado, Natal, Ano Novo… O serviço policial é 24 horas”, garantiu. Para a Chefe de Polícia, delegada Nadine Tagliari Farias Anflor, paraninfa da 47ª turma, esse foi, sem dúvida, o curso mais difícil da história da Academia de Polícia. “Nesse momento, penso no significado de ser delegado, mas não semanticamente. Para além desse significado, ser delegado significa abnegação, esforço e liderança. Mas uma liderança assertiva, que vai além do conhecimento jurídico. É uma liderança que deve ser conquistada pelo respeito dos agentes e demais autoridades”, ressalta a Chefe.

A formação dos Delegados de Polícia chegou ao fim depois de seis meses de um curso marcado por adversidades em meio a um cenário,  até então, novo no país. A preocupação principal era com a saúde dos alunos, professores e funcionários da Academia de Polícia, a qual se viu forçada a inovar. Foi a criação de uma plataforma virtual para o oferecimento das aulas na modalidade de Ensino à Distância (Ead) que possibilitou que a formação dos alunos não fosse prejudicada. Mais tarde, a adoção de um protocolo rigoroso com medidas sanitárias para proteção ao Covid-19 fechou o ciclo e permitiu que os futuros delegados se reunissem novamente na sede da Acadepol, para a conclusão presencial do curso. Diretora da Academia de Polícia, delegada Elisangela Melo Reghelin, iniciou o discurso emocionada. “Cruzamos a linha de chegada. Formamos hoje policiais em meio a uma guerra” disse. “Nunca foi tão difícil, pois lutamos contra o tempo e contra a doença. Fomos criticados, mas hoje academias de polícia de todo o país nos procuram para implementar os mesmos protocolos de segurança que possibilitaram aos nossos alunos continuar seus estudos”, afirma.

A nova turma de delegados é composta por 37 homens e 18 mulheres, com idades entre 45 e 27 anos. Do total, 29 são do Rio Grande do Sul; 5 do Rio de Janeiro e de Santa Catarina; 3 do Paraná e 2 de Minas Gerais, do Rio Grande do Norte e do Distrito Federal. Os demais são da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Piauí, Pernambuco, Rondônia e São Paulo.

Carlos Vogt
Jorge Batista