O Trovador das Três Fronteiras. Assim é conhecido o músico, cantor, trovador, repentista, payador, compositor e produtor musical, Paulo Martins de Araújo, de 73 anos, que se diz um apaixonado pela natureza de Tapes, sua terra natal, com suas figueiras centenárias e sua majestosa Lagoa dos Patos. Para recordar alguns fatos marcantes dos seus 50 anos de carreira musical, o artista que nasceu em 07 de outubro de 1946, abriu as portas de sua casa ao Regional.

Gaudério acostumado a circular na área central de Tapes, sempre pilchado e com sua mala-de-garupa no ombro, agora em tempos de pandemia está por casa “meio escondido”, como diz ele.
Mas este isolamento social não é empecilho pro músico criar seus trabalhos ligados a cultura gaúcha. Atento ao que está acontecendo no mundo atual, Paulo Martins até mesmo compôs uma poesia para sensibilizar os gaúchos sobre o perigo do coronavírus. Ajudado pelo seu filho mais novo Sam Martim e sua esposa Rosalina, por conta do “xucrismo” em lidar com a tecnologia digital, Paulo usa as redes sociais para interagir com seus amigos e todas as pessoas que admiram seu trabalho. “Agradeço a todas as pessoas pelo carinho que tenho recebido durante todos estes anos. Mas agora é tempo de ficar em casa, e como diz os versos de minha poesia: Já que o bicho é perigoso, fique longe cestroso, e não saia de casa também”, aconselha, em referência ao coronavírus.

O músico relembrou suas andanças pelo Brasil e por países vizinhos na América do Sul. Foram diversos festivais onde ele se apresentou, e como o próprio músico diz “sempre exaltando a cultura gaúcha”. Paulo recorda com muito carinho das vezes que esteve ao lado de ícones da cultura gaúcha, incluindo Barbosa Lessa, Paixão Côrtes, Rodi Pedro Borghetti, entre outros, nos festivais em várias partes da América do Sul. “Fomos no Uruguai, no Paraguai e na Argentina. Lá nós encantamos nossos hermanos, inclusive cantando em espanhol”, relembrou.

O artista tapense recordou da vez que venceu o Campeonato Internacional de Trovas, no Rodeio de Vacaria, nos anos 70, onde superou mais de 40 desafiantes. Ao longo da carreira ele gravou 25 discos, do LP aos CDs, e compôs mais de 500 canções. Algumas fizeram sucesso na voz de artistas de renome do cancioneiro gaúcho.
Para ele, a milonga “Eu Sou Tapes”, gravada em São Paulo, em 1975, e que está no disco “Os Sinuelo do Pampa”, é a sua canção preferida, sendo agora reconhecida como “a fotografia musical da cidade”. Neste disco o tapense tem a companhia de seu irmão Francisco Martins e de seu amigo Nilson Barcellos Ribeiro. Paulo lembra que “Eu Sou Tapes” foi escrita para ser apresentada durante uma das edições do festival Acampamento da Arte Gaúcha daquela época.

Recentemente a canção foi indicada, através de um Projeto de Lei que tramita na Câmara de Vereadores de Tapes, para ser declarada como Patrimônio Cultural Imaterial do município de Tapes. “Tenho muito carinho por esta canção. Assim como tenho muito carinho por tudo desta terra. Tenho profundo respeito pela lagoa, pelas figueiras, enfim por tudo que temos aqui em Tapes”, declarou Paulo.

Sobre sua carreira, disse que começou com as canções, mas que a trova nasceu pelo seu “dom”. O artista também já participou de muitos concursos como jurado. “Participei de muitos rodeios e sempre dizia: se passar pelo crivo de Paulo Martins pode sair dizendo que é o maior campeão de versos do planeta”, brincou. Ele também já participou, nos anos 80, de cerimoniais no Palácio Piratini, sede do Governo do RS, e também em Brasília, onde permaneceu por 10 dias à convite do presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo.

O músico também está presente, na companhia de outros artistas, em livros de poesias lançados em diferentes governos do RS. Paulo é autor do livro de poesias intitulado “Pedaços da Nossa História”.
Quem quiser conhecer mais um pouco do trabalho deste artista tapense pode seguir página do Facebook “Paulo Martins – O Trovador das Três Fronteiras”.