Uma portaria publicada na última quinta-feira, 19 de dezembro, no Diário Oficial do Estado impede que Bombeiros Voluntários do Rio Grande do Sul atendam fora de seus municípios de atuação. Outra determinação que atinge diretamente a corporação voluntária da cidade de Tapes é a de que somente municípios com menos de 15 mil habitantes poderão contar com unidades e de acordo com o IBGE, Tapes conta com quase 17 mil habitantes.

As medidas geraram questionamentos e preocupação entre os bombeiros, mas também no poder público municipal e na própria população que hoje conta com os serviços.

Para o comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Tapes, Alessandro Vasque, a portaria é uma incoerência no momento que deixa a população desassistida de um serviço essencial e que pode evitar tragédias e salvar vidas.

“Se os bombeiros voluntários deixarem de existir em Tapes, por exemplo, os sinistros continuarão acontecendo e quem vai atuar no primeiro combate será a própria população, com baldes, mangueiras de jardim, roupas comuns e sem preparação, pois é próprio das pessoas serem solidárias e quererem ajudar. Enquanto que os bombeiros voluntários recebem treinamentos e possuem equipamentos adequados para o enfrentamento destas situações”, esclarece.

Alessandro exemplifica ainda o tempo de resposta de um atendimento em Sentinela do Sul, município vizinho que fica a cerca de 10 minutos de viagem de Tapes, enquanto que o Corpo de Bombeiro Misto mais próximo, que é Camaquã, levaria no mínimo 40 minutos para chegar.

A portaria gerou descontentamento também na Associação dos Bombeiros Voluntários do Rio Grande do Sul – VOLUNTERSUL, que emitiu uma nota de repúdio contra a medida. A entidade representa 42 Corpos de Bombeiros Voluntários dos 50 grupos existentes no estado e afirma que há mais de 20 anos busca uma regulamentação e reconhecimento por parte do Corpo de Bombeiro Militar, já que segue todas as recomendações legais para o exercício das atividades, contudo nunca houve esta efetivação.

Atuando há mais de 15 anos em Tapes a unidade de bombeiros voluntários da cidade tem feito “malabarismo” para se manter ativa devido aos custos com equipamentos, veículos e instalações. Não foram poucas as ações beneficentes promovidas com apoio da comunidade pra angariar recursos e garantir o pagamento de despesas ou aquisição de materiais essenciais para a atividade.

O apoio do poder público municipal, tanto do Executivo quanto do Legislativo, também tem sido fundamental neste processo com repasses de verbas, cedência de espaço físico e auxílio na captação de recursos financeiros. Recentemente foi adquirido um caminhão tanque totalmente equipado para combate a incêndios e que deverá ser entregue a corporação voluntária em janeiro.

Alessandro afirma que a unidade está consolidada no município e por isso a VOLUNTERSUL está interferindo junto ao Estado de forma que as medidas não comprometam o trabalho tão essencial para a população tapense e arredores.