O empresário Mauro Luiz Dietrich, atual presidente da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Tapes – ACCITA, e que foi reconduzido recentemente ao cargo para o biênio 2021/2022, falou em entrevista ao Portal ClicR sobre os desafios enfrentados durante a pandemia e quais devem ser as ações da entidade para o novo período de gestão.

Portal ClicR: Como você faz uma avaliação rápida de 2020?

Mauro: Chegamos bem no final do ano, considerando que tínhamos uma expectativa muito diferente de como seria, ainda lá no início da pandemia, com muitos receios. Não pretendo tentar ampliar muito os nossos horizontes para além fronteiras, então falo do nosso quintal que é Tapes e cidades dos arredores, na Costa Doce, e acredito que dentro de um cenário traçado a gente conseguiu fazer o equilíbrio e resistimos à crise, até chegarmos neste período atual com a expectativa da chegada da vacina.

Passamos por tudo tendo doído o mínimo possível, apesar de haver perdas de vidas, que é triste e irreparável, estas foram poucas sendo que algumas ocorreram muito em função de outra comorbidades do que apenas da Covid-19. Tem situações complicados em lugares mundo afora? Tem, mas eu não quero participar deste debate, pois entendo que cada um cuidando do seu quadrado é melhor.

Portal ClicR: O que a Covid-19 deixa de herança pra economia?

Mauro: Comercialmente falando, a Covid mudou hábitos de consumo, fez com que muitas pessoas optassem por ficar em casa e essa facilidade do alcance de produtos e serviços pela internet fez com que o nosso comércio físico, estabelecido, ganhasse mais um forte concorrente. Sabemos que o mundo está evoluindo e que isto veio pra ficar e vai fazer com que a gente se desafie a procurar alternativas. Não digo que seja fácil para o lojista pequeno disputar este espaço, mas este desafio está posto e não tem mais volta e vamos ter que nos reinventar é uma luta pelo espaço e pela sobrevivência.

Uma das coisas que pretendemos estimular via associação agora que fui reconduzido à presidência, e pretendemos fazer isso com o apoio do Sistema S, é o aprimoramento no atendimento personalizado. Fazer com as pessoas venham até as nossas lojas fazer essa compra presencialmente em função de um bom atendimento, uma boa recepção, um café, uma conversa, essa coisa humana que foi tão prejudicada pela Covid-19.

Portal ClicR: Como foi lidar com a crise enquanto presidente da ACCITA

Mauro: Acredito que lidamos bem. A gente montou parcerias e tivemos também discussões desagradáveis entorno de decretos que regulamentavam a abertura de comércio. É um jogo de vontades bem complexa, mas também muito em função da falta de conhecimento pleno sobre o que de fato estava ocorrendo, mas de um modo geral tivemos um bom relacionamento com as autoridades, incluindo Ministério Público e o Executivo Municipal. Em algumas situações em que tivemos bandeira vermelha, através do diálogo, com jeito, fomos conseguindo fazer com que isso fosse sendo flexibilizado e as coisa foram melhorando e ao longo do tempo as pessoas começaram a perceber que o comércio não era o culpado pela expansão e propagação do vírus. A maioria são comércios pequenos com pouca aglomeração e fácil controle, de forma que se podia trabalhar com segurança.

Outra peleia que tivemos foi quanto a classificação do que não é essencial. Como vou classificar isso se tem gente que depende daquele ramo? Precisamos desmistificar isso e terminar com essa falácia de que não é essencial, pois tudo é, inclusive pro setor público que depende da atividade comercial para a arrecadação dos tributos.

É um desafio e passei por poucas e boas e como presidente de associação muitas vezes preciso entender a posição das autoridades constituídas, pois não foi fácil pra ninguém. O medo de errar era constante e causar uma situação irreversível tanto na preservação das vidas como da questão econômica. Então na medida do possível isso foi superado.

Portal ClicR: O que projetar para 2021?

Mauro: Para o próximo ano o desafio é buscar a recuperação do que foi o 2020. Já tivemos um aumento do PIB no terceiro trimestre do ano e vivemos a expectativa de chegar no zero a zero no final do ano. Pra quem chegou a estimar uma queda de 20%, estamos no lucro.

Agora neste final de ano vamos fazer uma pequena revitalização na nossa sede, incluindo a pintura nova pra entrar janeiro com uma perspectiva e uma luz muito melhor do que a gente entrou em 2020 e isso é muito importante. Estamos torcendo para que todos façam bons negócios neste dezembro que é a menina dos olhos de nós comerciantes.

Estamos fazendo um estudo de viabilidade de regionalizar a nossa associação. Sabemos que cidades polos na região são importantes pra suprir necessidades em comércios e serviços que as demais não possuem, no entanto elas também atraem e reivindicam todos os investimentos novos, como universidades, fábricas e outros. Portanto precisamos equilibrar esta questão unindo estas cidades do eixo entre Camaquã e Porto Alegre para podermos brigar de igual pra igual com estes polos.

Portal ClicR: Quais considerações gostaria de deixar?

Mauro: Numa visão geral eu gosto de ver o copo meio cheio e não meio vazio. Em vistas do que estava colocado eu acredito que saímos bem dessa pandemia, na questão de negócios, e temos forças e capacidade para nos recuperarmos.

Importante salientar que o associado da ACCITA manteve suas mensalidades em dia, entendeu a real situação e a importância de manter o caixa da associação em ordem. Foi fundamental essa parceria, assim como a ACCITA brigou por eles, o recíproco é verdadeiro, a gente se uniu e se manteve de pé.

Agradecemos aos que confiaram em nosso trabalho e desejamos um novo ano de união e prosperidade a todos.