Probabilidade de La Niña até o final do verão 2022 está acima dos 80%, aponta Copaaergs

A probabilidade do fenômeno La Niña permanecer no Rio Grande do Sul até o final do verão 2022 está acima dos 80%, de acordo com os modelos de previsão para definição do evento El Niño Oscilação Sul (ENOS) do International Research Institute for Climate and Society (IRI), utilizados pelo Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs).

O prognóstico climático para o mês de janeiro de 2022 indica chuva próxima da média em grande parte do Estado, exceto no extremo oeste, onde ficará um pouco acima da média. Para o mês de fevereiro, a tendência é de que a chuva fique abaixo da média. Em março, os prognósticos indicam chuvas próximas da média. Para as temperaturas do ar, o prognóstico é de que fiquem próximas da média em todo o trimestre.

“Mesmo com condições de chuva dentro da faixa normal no verão, as precipitações ainda não são suficientes para suprir a demanda hídrica das principais culturas de primavera/verão, em função da alta demanda evapotranspirativa do período”, destaca a coordenadora do Copaaergs, agrometeorologista Loana Cardoso. Evapotranspiração é a combinação da evaporação da água do solo e a transpiração da água pelas plantas.

O boletim do Conselho é elaborado a cada três meses por especialistas em Agrometeorologia de 14 entidades públicas estaduais e federais ligadas à agricultura ou ao clima. O documento também lista uma série de orientações técnicas para as culturas do período.

Arroz

  • Racionalizar o uso da água disponível através de técnicas de manejo adequadas, tais como movimentação mínima da água nos quadros e manutenção de baixas lâminas de água;
  • Em função da probabilidade de alta disponibilidade de radiação solar em anos de La Niña, ajustar a adubação nitrogenada em cobertura de acordo com as recomendações técnicas para as diferentes faixas de produtividade.

Feijão

  • Nas regiões em que a cultura está em desenvolvimento vegetativo, fazer adubação em cobertura quando o solo apresentar umidade adequada;
  • Irrigar, quando necessário, preferencialmente durante a floração e o desenvolvimento de vagens;
  • Na safrinha, escalonar a época de semeadura e, se possível, utilizar mais de uma cultivar, respeitando o zoneamento agrícola.

Milho

  • Escalonar a época de semeadura e utilizar cultivares de ciclos diferentes;
  • Para reduzir a competição por água no solo, evitar semeadura com altas densidades de plantas;
  • Fazer adubação em cobertura quando o solo apresentar umidade adequada ou quando houver previsão de ocorrência de precipitação pluvial;
  • Reservar água para irrigação, priorizando os períodos críticos da cultura: floração e enchimento de grãos;
  • Se houver demanda por alimentação animal, poderá ser realizada semeadura de milho para obtenção de silagem;
  • Atentar para o monitoramento da cigarrinha do milho realizando o controle conforme orientação técnica.

Soja

  • Nas semeaduras no mês de dezembro, utilizar, preferencialmente, cultivares de ciclo tardio;
  • Se houver disponibilidade de água para irrigação, destiná-la, preferencialmente, ao período de floração e enchimento de grãos;
  • Atentar para o controle de doenças, especialmente a ferrugem asiática. Informações sobre o monitoramento da doença no Rio Grande do Sul podem ser obtidas em http://www.emater.tche.br/site/monitora-ferrugem-rs/home#mapas.

Hortaliças

  • O prognóstico de precipitações dentro da normalidade ou abaixo do padrão requer atenção quanto à necessidade de irrigação, que deve, preferencialmente, ser realizada via sistema de gotejamento, que apresenta melhor eficiência de uso da água;
  • Mediante o prognóstico de temperaturas próximas ao padrão climatológico em todo o trimestre recomenda-se proceder ao manejo de abertura de laterais em ambientes protegidos (túneis e estufas), o mais cedo possível, evitando aumento excessivo da temperatura do ar no período diurno no ambiente interno dos abrigos;
  • Se possível, usar telas sombreadoras ou refletoras sobre o dossel de plantas para reduzir a incidência de radiação solar e, consequentemente, a temperatura do ar próxima ao dossel;
  • Culturas como a alface e tomate podem apresentar problemas relacionados à deficiência de cálcio (tipburn e podridão apical, respectivamente), nos períodos em que o fluxo transpiratório for acelerado (alta demanda evapotranspirativa) e/ou interrompido (deficiência hídrica). Assim, atentar para o microclima com a manutenção de umidade do ar adequada em ambiente protegido e garantir suprimento de água e de cálcio junto ao sistema radicular das plantas.

Fruticultura

  • Manter a vegetação de cobertura do solo, espontânea ou cultivada, associado às práticas de manejo na linha e na entrelinha, de forma a preservar a umidade do solo e evitar processos erosivos, principalmente em áreas com declividade elevada;
  • Em função de antecipação do ciclo em algumas frutíferas, atentar para o monitoramento e controle da ocorrência de insetos e de doenças, pois, nessa situação, a incidência pode ser superior ao histórico da área;
  • Controlar o excesso de crescimento vegetativo das frutíferas especialmente em períodos de maior demanda evapotranspirativa. Realizar poda verde para diminuir a demanda hídrica e promover maior aeração e insolação no dossel vegetativo;
  • Em áreas atingidas por granizo, intensificar o manejo fitossanitário e promover técnicas de recuperação das plantas visando a sustentabilidade da área para os próximos ciclos produtivos;
  • Em pomares jovens, prever a suplementação com irrigação para favorecer o estabelecimento das plantas, dando preferência à irrigação por gotejamento;
  • Em pomares em produção, na possibilidade de irrigar, priorizar métodos de irrigação localizados (gotejamento ou microaspersão).

Silvicultura

  • Caso o produtor florestal tenha necessidade de realizar o plantio no trimestre janeiro/fevereiro/março, as mudas florestais devem apresentar um sistema radicular bem formado e recomenda-se utilizar irrigação para garantir maior sobrevivência das mudas no campo.

Forrageiras

  • O prognóstico de chuvas na média ou ligeiramente abaixo da média torna importante o aumento do estoque de forragens na propriedade, seja no campo (redução da carga animal ou diferimento de potreiros), seja através de forragens conservadas (feno ou silagem);
  • No manejo das pastagens, procurar manter a cobertura do solo com resíduo adequado, manejando o pasto de acordo com a lotação animal recomendada para cada forrageira (ex. 12% de oferta de forragem em campo nativo);
  • Utilizar suplementações estratégicas para as categorias dos rebanhos mais necessitados, nos períodos em que ocorrerem estiagens;
  • Em caso de falta de chuvas, indica-se, quando possível, a irrigação de pastagens cultivadas.

Boletim Copaaergs – Jan/Fev/Mar 2022

Matheus Medeiros
Contato: E-mail: [email protected] Facebook: Matheus Medeiros

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