A diversificação de cultura tem sido um desafio para muitos agricultores em municípios da região onde predomina o cultivo do tabaco. Neste sentido, novos cultivares são testados frequentemente em busca de alguma espécie que se adapte ao clima, tipo de solo e que tenha uma produção satisfatória de modo que se possa lucrar com a sua comercialização.

Em Potreiro Grande, localidade do interior de Sentinela do Sul, o agricultor Roberto Letsch está apostando na produção de bananas e fez investimentos em sua propriedade neste cultivo que é pouco tradicional em nível comercial na região, embora o consumo e a comercialização da fruta sejam consideráveis.

Em uma área de 07 hectares o agricultor plantou 10 mil mudas de diferentes variedades de bananeiras, incluindo a Prata, Caturra, Nanica, entre outras, adquiridas de um viveiro do estado de Minas Gerais, por conta da qualidade dos exemplares, de porte robusto e isentas de doenças.

Embora tenha tido sua origem na agricultura, foi como comerciante que Roberto ganhou a vida ao longo de seus 49 anos, sobretudo no ramo de supermercado, inclusive em Porto Alegre e atualmente com loja no município de São Jerônimo. Entretanto o produtor e microempresário revela que sempre gostou da atividade agrícola e de novos desafios, por isso desde que adquiriu a propriedade de 62 hectares em Potreiro Grande já estudava algo diferente para implantar no local e que pudesse compensar os investimentos.

“Lembro que antigamente quase toda propriedade tinha uns pés de bananeira perto da casa e que produzia, mesmo sem qualquer cuidado, então acredito que se cultivarmos com tudo que é preciso poderemos ter uma boa produção”, comparou Roberto.

O produtor revela que grande parte da assistência técnica ele buscou na internet, e na prática vem fazendo experiências para ajustar o manejo, incluindo tipos de herbicidas, adubação, controle de brotos, entre outras particularidades.

“Buscamos fazer tudo da melhor forma possível e vamos aprendendo pelo caminho. Iniciamos com a correção do solo e preparo da terra, incluindo a cobertura verde entre as fileiras para a formação da palhada que protege o solo, retem a umidade e resulta em material orgânico com os nutrientes que a planta necessita. Fizemos uma primeira capina manual até que acertamos o tipo de herbicida que pode combater as espécies invasoras sem prejudicar a banana. Também experimentamos diferentes distanciamento entre plantas para observar o comportamento em relação à entrada de luz do sol. Tudo é experiência que vai se somando em busca dos bons resultados que esperamos”, comenta.

A Emater e a secretaria municipal de Agricultura de Sentinela do Sul também estão fazendo o acompanhamento do cultivo e dando suporte em algumas questões técnicas, ambientais e de logística.

No último mês de setembro o plantio completou um ano e Roberto está satisfeito com a evolução das plantas. Neste período ele diz que já pode observar algumas particularidades, sobretudo em relação a geada que castigou a parte mais baixa da lavoura, contudo a maior parte da plantação resistiu bem e seguiu com um bom desenvolvimento.

A expectativa da primeira colheita é para meados de abril de 2022, quando se espera que os cachos de bananas atinjam uma média de 18kg a 20kg, contudo o produtor não quis arriscar uma projeção, porque entende que tudo é muito novo e que vários fatores ainda precisam ser considerados. Do mesmo modo não estimou o período para que haja o retorno do investimento, mas calculou que até a primeira colheita e comercialização, os custos de produção devem ficar entorno de R$ 20 mil por hectare, desde o preparo da terra, aquisição das mudas, insumos, mão de obra, implantação de irrigação e logística. Há de se considerar que este valor tende a diminuir na segunda safra por conta dos investimentos permanentes, incluindo as plantas, já que o melhor broto em cada pé segue sendo cultivado para nova safra.

Já quanto ao mercado o produtor revela que pretende comercializar maior parte das frutas na CEASA, em Porto Alegre, pois entende que o local seja o melhor para absorver a produção, contudo ele não descarta fornecer diretamente para estabelecimentos comerciais da região.

Para o secretário municipal da Agricultura de Sentinela do Sul, Fábio Moraes que recentemente esteve fazendo uma visita a Roberto, a iniciativa é louvável e digna de exemplo.

“A primeira vez que vi, de longe, a área plantada com bananeiras fiquei surpreso e, talvez como a grande maioria pensei: ‘Nossa! Bananas aqui em Sentinela do Sul?’ Mas após a visita a propriedade e a breve conversa com Roberto saí convicto de que a diversificação de culturas é totalmente viável e necessária para o crescimento e desenvolvimento agrícola do nosso município, em todos os sentidos, expansão de horizontes, manutenção de jovens nas propriedades rurais, fugir ou ter opções para sair de monoculturas, geração de renda e empregos na área rural”, considerou Moraes.

O secretário citou exemplo de outras iniciativas que já vem acontecendo em Sentinela do Sul, incluindo a produção de olivas, horticultura e fruticulturas orgânicas, piscicultura, cultivo de cogumelos, produção de leite de búfalas e queijos.

“Num primeiro momento estamos fazendo visitas a estes produtores e propriedades, com a intenção de aumentar o laço entre administração municipal e produtor. A partir daí, enquanto gestores públicos, vamos pensar e desenvolver políticas públicas que favoreçam os pequenos produtores, talvez através de parcerias com os que já estão ativos, ou através da busca de novas opções, de forma que possamos contribuir com quem deseja produzir e não tenha condições para isso. Esta é a nossa linha de trabalho, de acordo com o desejo do prefeito Flávio Trescastro que tem apontado pra essa direção”, explicou o secretário.