Falar sobre reinvenções durante a pandemia já soa quase como clichê, mas na verdade esta capacidade de criar o novo e descobrir caminhos diferentes a serem seguidos deve ser uma das boas heranças que poderemos ficar de todo este caos que se instalou desde a chegada do coronavírus em nosso meio.

A educação de uma forma geral, e sobretudo nos departamentos públicos é um dos setores que mais vem sofrendo com o enfraquecimento das relações sociais de contato entre as pessoas.

Visando compensar estas perdas a secretaria municipal de Educação e Cultura (Smec) de Cerro Grande do Sul, através da iniciativa e coordenação da pedagoga Giovana Goudinho Stropper tem desenvolvidos projetos que podem para combater estes reflexos negativos causados pelo isolamento.

O primeiro deles é o “Escuta que eu conto”, que começou ainda em 2020, bem no início da pandemia, logo que as aulas tiveram de ser suspensas. A proposta tem como objetivo diminuir o distanciamento social entre alunos e professores através da contação de histórias.

Além do uso das redes sociais em que as histórias contadas pelos professores são disponibilizadas aos estudantes através de áudios publicados em grupos de WhatasApp, o projeto conta com a parceria da rádio comunitária Nossa Terra 103.5 FM, que transmite os contos durante a semana, nas segundas, quartas e sextas-feiras, em dois horários: às 10h e às 15h.

Giovana explica que os temas são livres e que as histórias contadas têm variado bastante, desde clássicos da literatura até temas pedagógicos que os professores aproveitam para transmitir aos alunos em forma de narrativas.

“A contação de histórias desperta a curiosidade, estimula a imaginação, desenvolve a autonomia e o pensamento, além de proporcionar a vivência de diversas emoções, ajudando a criança a resolver conflitos emocionais”, avalia a pedagoga.

Outro projeto que está em fase de conclusão e que logo deverá ser implantado na cidade é o “Gelateca”. Este traz como proposta estimular a leitura do público em geral por meio da disponibilização de livros.

O plano consiste em transformar geladeiras velhas, que seriam descartadas, em bibliotecas e estas serem dispostas em locais estratégicos na cidade para que todos tenham acesso e assim possam desfrutar de uma boa leitura.

A primeira “Gelateca”, que já está pronta, traz estampada uma arte gráfica do artista plástico local Bruno Zenker Tejada, que emprestou seu talento para dar cor e vida ao projeto. Esta deverá ser instalada em breve no saguão da Unidade Básica de Saúde (UBS) 24 horas.

Bruno Zenker com a primeira “Gelateca” – Foto: Arquivo pessoal

“É um local onde tem bastante fluxo de pessoas e muitas permanecem ali aguardando por uma consulta, então além de ser um estímulo à leitura também será um conforto para quem poderá buscar nos livros uma boa distração e uma forma de passar o tempo”, coloca Giovana.

A pedagoga explica que os livros poderão ser retirados por empréstimo devendo ser devolvidos após a leitura. Neste sentido ela emenda que a instalação deverá ocorrer no momento oportuno seguindo os protocolos de higienização e segurança contra a Covid-19.

O projeto prevê ainda a criação e instalação de outras “Gelatecas” pela cidade e para tanto solicita o apoio da comunidade que pode colaborar com a doação de livros e geladeiras velhas em estado que possam ser reutilizadas.

Para o secretário municipal de Educação e Cultura, Júlio César Doze os projetos são de fundamental importância para a qualidade da formação dos cidadãos culcerrograndenses. Ele destaca que tem dado todo o suporte necessário para a execução das ações planejadas.

“A leitura torna as pessoas com a mente mais aberta. Eu não conheço nenhum caminho melhor que o estudo. Todas as riquezas que adquirimos nesta vida podemos perder, mas o conhecimento intelectual que conquistamos ninguém nos tira. Como secretário de educação esse é o nosso objetivo, melhorar os índices deste setor e a qualidade dos profissionais e de toda a rede pública de ensino. Queremos instruir nossos alunos para que eles possam ser adultos qualificados. A caneta é mais leve que a pá”, concluiu Doze.