Você sabia que as abelhas são responsáveis pela polinização de 85% das plantas de importância para a alimentação dos seres humanos? A maioria das plantas cultivadas depende da polinização das abelhas, no mundo existem mais de 20 mil espécies de abelhas e no Brasil mais de 1.500 já foram identificadas. O Dia Mundial da Abelha, comemorado em 20 de maio, valoriza a importância desse inseto para a segurança alimentar e conservação da biodiversidade.

Na Universidade de Passo Fundo (UPF), os acadêmicos dos cursos de Medicina Veterinária e Agronomia, aprendem no Centro de Extensão e Pesquisa Agropecuária (Cepagro) a respeito das abelhas e sua importância para o meio ambiente. ” Talvez a gente não tenha o conhecimento total do potencial das abelhas no nosso ambiente, se pararmos para observar as abelhas passam de flor em flor o dia todo, são incansáveis. Nesse processo os grãos de pólen de uma flor se aderem ao corpo das abelhas, passando para outra flor, promovendo a fecundação das plantas,  que se beneficiam pela necessidade da polinização cruzada. Sem dúvida o maior benefício que a abelha nos traz é a polinização”, destacou a professora da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAMV/UPF), Dra. Gessi Koakoski.

A diversidade de abelhas segundo especialista é uma riqueza natural de valor inestimável porque, por meio da polinização, abelhas de diferentes espécies contribuem com a conservação da diversidade vegetal, das florestas, dos biomas e até mesmo de forma indireta com a regulação do clima e a manutenção de nascentes de água beneficiando os seres humanos.

Produtos

Outro ponto destacado pela professora Gessi são os produtos gerados a partir da produção das abelhas. ” Elas produzem mel, pólen, cera, própolis, geleia real, apitoxina e a própria polinização. Muitas pessoas atualmente também comercializam a polinização que é mais utilizada na apicultura migratória, onde você desloca as caixas onde tem pasto apícola. Lembrando que as flores atraem as abelhas por meio do néctar, produzem essa secreção açucarada para atrair as abelhas e por decorrência os grãos de pólen se aderem promovendo a fecundação das flores”, explica.

Conforme Gessi, a apicultura migratória acaba sendo bastante útil principalmente nos pomares  de frutas, como citrus, ameixeiras, pessegueiros e inúmeras outras plantas. “Trabalhamos mais com abelha africana porque tem maior produção de mel, mas nós não podemos esquecer das abelhas sem ferrão, que são mais 238 espécies descritas e a cada dia se descobre uma espécie nova”, afirma.

Agricultura x conservação

A redução da população de abelhas vem sendo um alerta para o mundo, onde é necessário e preciso aliar desenvolvimento agrícola com conservação do meio ambiente. De acordo com a professora, é possível aliar as duas atividades desde que haja comunicação entre os agricultores e apicultores. ” Os principais cultivares como milho e soja têm alguns produtos que combatem os insetos e não especificamente as abelhas, mas a partir do momento que esse produto é pulverizado nas lavouras a abelha acaba sendo atingida. Quando ela descobre uma floração ela tem a capacidade de transmitir para as demais abelhas para que também possam ir coletar lá, mas ela pode perder esta capacidade quando for acometida por alguma substância tóxica, na maioria das vezes observamos que quando é intoxicação, as abelhas nem conseguem voltar para sua colmeia e morreram ali muito próximo, ou acabam indo para outras colmeias que não são de sua origem e acabam sendo mortas ou expulsas”, comenta.

O uso de inseticidas é importante para combater as pragas nas lavouras, contudo a indicação da professora é que o agricultor procure manter um pouco de mata próximo às plantações para que as abelhas possam fazer seus ninhos e se alimentar, procurando utilizar produtos biológicos ou outras alternativas que não prejudiquem tanto o meio ambiente. “O grande problema da utilização dos químicos é no período de floração, as abelhas vão visitar essas flores que acabam tendo contato. Precisamos aprender a conviver, utilizando algumas estratégias, como, manter a colmeia fechada durante alguns dias, quando for realizado aplicação em lavouras próximas das colmeias, visto a importância da parceria entre os agricultores e apicultores, com está ação todos se beneficiam”, disse.

Outro método que pode ser utilizado é da “cortina verde”, aonde se deixa espaços de mata nativa entre a lavoura e as caixas de apicultura. “Há muitas pesquisas, o mundo está preocupado com isso, se as abelhas morrem quem fará a polinização, de inúmeras plantas frutíferas por exemplo, é quase impossível. A mortalidade de abelha acontece muito, seguidamente alerto as pessoas. Não é que não se queira que se produza soja e milho, mas temos que trabalhar em conjunto, para a conservação das duas coisas”, disse.

De acordo com Gessi, os produtores se beneficiam com o trabalho das abelhas, já que se não houver a polinização, a produção reduz cerca de 40%.

Cepagro

O Cepagro tem uma estrutura voltada para o ensino, a pesquisa e extensão e mantém parceria com diversas empresas. Na área da apicultura, o Centro possui parceria com a MFC (Mel em Favo e Centrifugado) de Idílio Batista Gonzatto e Vanusa Gonzatto. A empresa trabalha com a produção de mel, mel em favo e cera. Atualmente os produtos são comercializados na Feira do Produtor na Gare, em mercados, fruteiras e padarias de Passo Fundo.

Curiosidade

Cada caixa de abelha possui uma abelha rainha, cerca de 400 zangões e em média 50 mil abelhas na caixa. A vida em média de uma abelha rainha é de quatro anos.

Fonte: Universidade de Passo Fundo