Segundo comerciantes, juncos e maricás estão tornando orla da praia menos atrativa para o turismo. 

Criada na década de 70 a Pinvest tornou-se um ponto turístico muito conhecido por veranistas vindos de várias partes do Estado que procuravam as águas calmas e limpas do balneário para passar momentos de lazer com a família. Tamanha foi a vocação turística que centenas de famílias adquiriram terrenos e imóveis, construindo uma pequena “cidade” paralela a região central do município.

Vislumbrando naquela época um cenário positivo para o turismo, empresários do setor imobiliário investiram no bairro, construindo empreendimentos habitacionais como cabanas e casas para locação durante a temporada de veraneio. Contudo, o lugar que tinha todas as condições para prosperar e conquistar ainda mais turistas para a cidade está perdendo espaço nos últimos anos. Para os comerciantes, entre os principais fatores para a diminuição no fluxo de veranistas está o aumento na vegetação que margeia a orla da praia, o que segundo os empreendedores, afasta a vocação turística do local.

Com o passar dos anos, a orla do balneário está sendo tomada pelas gramíneas chamadas juncos, e a espinheira maricá, também chamado espinho-de-maricá, que crescem, num ritmo desenfreado e acabam tornando a praia menos “atrativa”. Se para o banho os turistas já encontram dificuldades para chegar até a água, imagina para que pratica alguma atividade esportiva, como Wind-surf, que agora só pode ser praticado em locais limitados.

Leli A. Machado, corretora de imóveis e moradora do bairro, notou que de dez anos para cá o fluxo tanto de veranistas ou até mesmo de pessoas interessadas em imóveis na Pinvest caiu consideravelmente. A profissional que possui casas para venda e locação no bairro, lembrou dos relatos de clientes que passaram pelo balneário. Segundo ela, entre as reclamações estão a falta de manutenção das ruas aliada a pequena extensão da orla e o acúmulo de vegetação que beira a praia pesaram na decisão dos veranistas que optaram por outras praias na região. “A prefeitura até vem realizando melhorias durante a estação de verão, contudo ainda falta muita coisa. Já aconteceu caso de clientes que se hospedaram aqui e foram passear em Arambaré durante o fim de semana, já na temporada seguinte acabaram não retornando para cá”, lamentou Leli.

O desinteresse pelo balneário também pode ser visto tamanha a quantidade de imóveis para a venda. São centenas de casas e terrenos disponibilizados por imobiliárias.
Outro comerciante relatou ao Jornal Regional uma diminuição na procura dos turistas pelo balneário. Para o empresário, que possui cabanas no bairro, a orla da praia precisa urgente de uma revitalização. Ele reforça a necessidade de controle do junco e do maricás. “A praia está ficando escondida. Isso está afetando a economia da cidade, visto que muitos turistas estão deixando de virem para cá em função da falta de investimento no balneário”, frisou o comerciante que preferiu não se identificar.

Vereador pede providências
O vereador Fabiano Dummer (PP) usou a tribuna da Câmara de Vereadores para cobrar da Prefeitura Municipal ações que visem a manutenção da orla das praias da cidade. Em abril, através do Pedido de Informação nº0011/2018, o vereador pediu informações referentes a quais e quantos projetos ou licenças ambientais que a Prefeitura Municipal possa ter protocolado junto aos órgãos de proteção ambiental, caso da Fepam e Sema, para limpeza de praias, retirada de sarandis, maricás e vegetação rasteira.
Durante uma de suas falas no plenário, o vereador até mesmo ofereceu suas máquinas e funcionários para que a Prefeitura Municipal possa providenciar a manutenção e limpeza da orla, inclusive no balneário Pinvest.
O vereador que possui uma empresa de corte e transporte de madeira disse que falta “boa vontade” a Administração Municipal para realizar estas obras necessárias para alavancar o turismo na cidade. Fabiano lamentou que até o mês de maio não havia recebido respostas sobre seus pedidos de informações.

O que diz a Prefeitura Municipal
O Jornal Regional procurou a secretária municipal do meio ambiente Veridiana Rödel Viégas para conhecer sua posição em relação as reclamações de empresários e dos banhistas. Por sua vez, a secretária afirmou que o Poder Público tem em mãos a licença ambiental de nº 020/2018, que prevê a manutenção da orla da Pinvest com o corte de maricás e de alguns juncos somente nos acessos anteriormente utilizados pelos banhistas. O estudo de viabilidade da ação foi realizado pelo biólogo da secretaria Régis Rafael Hryçai pelo processo de n° 160/2018. A secretária argumentou que o município possui muitas demandas ambientais e que a SMMA fica com a atribuição de encaminhamento e emissão das licenças, enquanto a execução das atividades depende das outras secretarias, como a de Obras por exemplo em função do maquinário e operadores. “Nosso município tem muitas demandas ambientais, alguns só sabem criticar, mas poucos sabem que este tipo de serviço deve ser realizado com acompanhamento técnico de forma responsável e respeitando leis”, frisou.
Por fim, o prefeito municipal Silvio Rafaeli garantiu que a manutenção da orla deverá ser realizada ainda durante a estação de inverno. “Temos a licença ambiental e faremos durante o inverno, preparando para a primavera e verão que vem”, argumentou. O prefeito criticou uma eventual pressão para que a limpeza da vegetação seja feita. “Não tem sentido em apressar em decorrência de pressão. Temos o nosso cronograma de trabalho. Que não pode ser atropelado por quem não conhece, ou quer desconhecer o processo. Portanto, no verão que vem, já teremos outro olhar”, assegurou Rafaeli.