O atraso da colheita de soja reduziu as exportações brasileiras neste início de ano, mas não deve prejudicar a expectativa recorde da safra de 2020/2021, diz o analista de mercado AgRural, Adriano Gomes.

Os dados parciais de fevereiro apontam que o Brasil tem embarcado, em média, 55 mil toneladas de soja por dia, enquanto essa média era de 268 mil toneladas diárias em fevereiro de 2020, diz Gomes.

Já em janeiro deste ano, o Brasil exportou, no total, 49,5 mil toneladas de soja, contra 1,397 milhão de toneladas no mesmo mês de 2020, queda de 96%, mostram dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). “Ou seja, nós exportamos praticamente nada”, diz o analista.

Com a demora da colheita, a China, que é a principal compradora do Brasil, tem importado o grão dos Estados Unidos (EUA), o que não implica, porém, em perda de mercado para o Brasil.

Se as condições climáticas se normalizarem, a tendência é de que ocorra uma concentração de colheita de diversos estados em um mesmo período – entre final de fevereiro e início de março – o que pode aumentar a demanda por transportes, gerando problemas de logística.

Seca no plantio e chuva na colheita

O atraso da colheita de soja foi provocado pela demora do plantio em função da seca em setembro e início de outubro em Mato Grosso e no Paraná, principais estados produtores e que “dão a largada” na semeadura do grão.

O volume colhido no país todo deve chegar a 133 milhões de toneladas nesta temporada, segundo projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Enquanto a estiagem atrapalha o plantio, as chuvas prejudicam a colheita, já que há dificuldade para avançar com as máquinas nas lavouras.

Para os próximos dias, não há previsão grandes chuvas no Paraná, diferentemente de Mato Grosso e Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde o volume de precipitações está elevado.

Por Paula Salati, G1