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Clube Cruzeiro completou 128 anos de história em Barão do Triunfo

No último dia 23 de outubro, a Sociedade Cultural e Recreativa Cruzeiro esteve completando mais um ano de história. O clube centenário é um dos mais antigos da região e desde a sua reativação após uma reforma geral em sua estrutura, vem realizando importantes eventos festivos, tais como festas, bailes e competições de futebol society, porém com a pandemia de Covid-19, todas atividades tiveram que ser paralisadas e foram retomadas recentemente aos poucos com jogos na quadra do clube.

Conheça um pouco da história do clube

A ideia da criação de uma Sociedade em Barão do Triunfo teve início com os imigrantes italianos Tassinari Cezare e Vitório Verdi, inspirado em entidades existentes na Itália que tinham por objetivo apoiar as classes menos favorecidas, formadas principalmente por aposentados e trabalhadores de baixos salários. A primeira reunião sobre o tema ocorreu no dia 15 de outubro de 1892 no Salão do Sobradinho, residência do líder Tassinare Cesare, atualmente Restaurante Padre Réus, onde participaram diversos chefes de família da comunidade.

No dia 23 de outubro de 1892 aconteceu a grande Assembleia de fundação da primeira entidade de Barão do Triunfo, tendo seu estatuto aprovado, adotando o nome de Societá Fratellanza Itália com o lema de: Saúde e Fraternidade. Os principais fundadores são: Tassinare Cezare, Giusep Munari, Gabriel Gianechini, Giovani Sperotto, Caeano Danti, Luigi Carletti, Vitorio Verdi, sendo esse último eleito como primeiro presidente.

Já no ano de 1893 os sócios da Societá decidiram fundar uma banda musical, onde a entidade servia de base para os ensaios dos músicos e mantinha os instrumentos e em troca a banda tocando em festas sociais e nos funerais dos sócios, executando a marcha fúnebre. O grupo era formado por 14 componentes, todos sócios da instituição. Estava formada a primeira banda musical de Barão do Triunfo, que perdurou por 54 anos.

Desde sua fundação o principal objetivo da Societá foi a defesa do povo, atuando inclusive como a previdência da comunidade, onde quando um sócio ou dependente adoecia a família recebia um auxílio da entidade até que esse pudesse voltar ao trabalho. No caso de falecimento do associado, a viúva recebia uma pensão mensal e tinha o funeral preparado pela Sociedade.

Também nas demais questões sociais a Sociedade era bastante atuante, organizando programas de lazer, como bailes e festas.

No início da colônia cabia a Sociedade ser a representante do povo baronense, graças a seu prestigio e renome que conquistou como entidade social. Através de oficio expedido pela diretoria para o Governador do Estado, Dr Julio Prates de Castilhos, foi solicitada a construção de uma nova estrada ligando a Colônia de Barão do Triunfo até o Faxinal, sendo que alguns meses a entrega do requerimento a Secretaria de Obras do Estado deu início a construção desta estrada.

Outra importante atuação da Sociedade foi quando da difícil situação que os moradores da colônia enfrentavam devido a um grupo de fazendeiros que reclamava da demarcação das terras, onde agiam com truculência com os colonos chegando a causar túmulos na sede da vila, onde por serem ricos e com grande influência deixavam os colonos sem poder de reação. Foi quando Tassinare Cezare, representando a Sociedade procurou o Consulado Italiano no Estado buscando solução para a questão, onde o Consul oficiou o Governador sobre o caso exigindo providencias. Dez dias após, um Sargento da Brigada Militar juntamente de dez soldados chegaram a vila de Barão do Triunfo, abrindo um inquérito e devolvendo a paz a comunidade.

Talvez a ação de maior destaque da Sociedade tenha sido quando Tassinare Cezare e mais um grupo de colonos se achando injustiçados pelos preços das tarifas cobradas na venda de produtos agrícolas, se reuniram com o Governador Antônio Borges de Medeiros, munidos com um requerimento assinado por todos os colonos, pedindo tarifas iguais as cobradas em Dom Feliciano. De posse do documento o governador baixou um decreto estabelecendo tarifa única para todas as localidades gaúchas.

No início a Sociedade se localizava em um velho casarão de tabuas, que com o passar dos anos foi se danificando. Até que durante uma Assembleia Geral foi decida a construção de um novo prédio, a altura da instituição, cabendo a Tassinare Cezare a elaboração da planta. Sendo que em 1912 deu-se início a construção do prédio, custeado inteiramente pelo caixa da entidade, sendo concluído em poucos meses. O dia da inauguração foi de grande importância para a comunidade, tendo a participação de pessoas ilustres, como o Intendente do município de São Jerônimo, o Tenente Coronel João Rodrigues de Carvalho, o Pároco Local, a Banda Municipal além de diversos membros da comunidade.

Para recuperar as verbas gastas na obra, foi criado um grupo teatral a fim de realizar sessões dominicais trazendo maior movimento para a Sociedade, sendo que com isso o dinheiro foi reposto em poucos dias.

No ano de 1938, através do Decreto Lei nº 383, o governo Getúlio Vargas exigiu a nacionalização de todas as entidades estrangeiras no Brasil, sendo que após várias resistências de sócios que não concordavam com a mudança na origem da Sociedade a mesma foi nacionalizada adotando o nome de Sociedade Beneficente e Recreativa Cruzeiro.

Durante o mais de um século de existência a Sociedade atravessou diversas crises, quase culminando em sua liquidação. A primeira grande crise se deu no ano de 1946, onde a falta de recursos para manter as obrigações da entidade, dificuldade essa ocasionado devido aos grandes gastos com a nacionalização, com a contribuição patriótica as vítimas da Segunda Guerra Mundial, reforma da sede social, auxilio social a enfermos e pagamento de pensão a uma viúva carente. A crise da Sociedade era motivo de grande preocupação da comunidade, pois caso viesse a fechar as portas seria motivo de vergonha para Barão do Triunfo. Para solucionar a dificuldade foi decidido o fim do auxílio a sócios acamados, corte da contribuição patriótica, porem foi mantido o pagamento do auxílio da pensão dessa viúva.

No dia 12 de dezembro de 1979, uma Assembleia Geral reformou o estatuto, alterando o nome para Sociedade Cultural e Recreativa Cruzeiro.

No dia 23 de outubro de 1992 foi realizada a Grande Festa dos cem anos da Entidade, onde foram homenageados os antigos presidentes da Sociedade, sendo que a sócia mais idosa, Sr.ª Elza Kaizer Lanzarini foi homenageada representando os sócios fundadores. Também as autoridades do recém instalados município de Barão do Triunfo foram homenageados, onde participaram os vereadores: Airton José Lanzarini Salatti, Delicio Govoni Marcuci, Eloi da Silva Fallavena, Odone Kloppemburg, Olmindo Dalbem, Osmar Silveira de Souza, Otelino Amaro de Abreu e Valmor da Silva Gimenes. Participaram também o Prefeito Airton José Prates Ramos e o vice-prefeito Leonido Kloppemburg, que foram agraciados com duas placas comemorativas.

Durante a década de 1990 a Sociedade manteve-se em destaque na comunidade, principalmente no meio esportivo, onde havia disputa para participar do time do “Clube” em campeonatos locais e regionais.

Nos anos 2000 a entidade teve grande participação no meio cultural, mantendo grupo de danças gaúchas, além de diversas atividades de lazer e esportivas, como torneios, festas e domingueiras.

No ano de 2014, surgiu a proposta de locação do prédio da Sociedade para uma empresa que estava realizando obras na cidade, onde devido as dificuldades enfrentadas na estrutura do prédio e as exigências do governo na prevenção a incêndios a direção optou por locar as dependências para sediar o alojamento da empresa. Depois do período da locação restaram mais de R$ 70.000,00 provenientes do valor do aluguel, recursos esses que foram totalmente investidos na reforma e reestruturação das dependências e também na compra de diversos equipamentos e utensílios.

No ano de 2017 foi realizada a reforma do estatuto e reiniciadas as atividades da entidade, com uma ótima estrutura com cancha de bocha, quadra de futebol, salão de festas. Devido ao tempo que o clube ficou fechado as dívidas dos sócios foram anistiadas e com isso trazendo os associados de volta e retomando o crescimento dessa tão importante instituição.

Fonte: Barão do Triunfo Descobrindo sua História, autor Leandro Fallavena

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