O Regional vem buscando trazer, ao longo de alguns anos, relatos históricos de inúmeras entidades de nossa região. A história de como tudo começou ou de passar a ideia de como era antigamente. Através de relatos e fotos, resgatar e guardar estas histórias para que não se perca com o tempo.

Nesta edição, estaremos relatando alguns fatos e curiosidades do Esporte Clube Internacional, localizado na Vila Derrose, município de Sertão Santana, bem na divisa com Barra do Ribeiro.

Oficialmente, o clube completou 67 anos de fundação no dia 03 de dezembro de 2020. E quem nos conta um pouco da história, foi quem viveu boa parte dela, hoje com 91 anos de idade, seu Manoel Pontes. O conhecido Tio Maneco é quem nos fornece informações preciosas sobre a entidade e também nos traz curiosidades sobre o primeiro time oficial do Clube.

 

Teria o Sport Clube Internacional de Sertão Santana surgido por volta de 1920?

A grande maioria dos leitores e moradores de Sertão Santana, que tem um certo conhecimento da história, certamente diriam que não. Que o Internacional surgiu na data de sua fundação, dia 03 de dezembro de 1953 ou então alguns poucos anos antes em torno de 1940 ou 1945. Prova disso, é uma carteira de sócio do Clube do ano de 1948 fornecida pelo Tio Maneco.

Boa parte da história do Esporte Clube Internacional, se não toda, perdeu-se na forte enchente que ocorreu em março de 2007, onde a força da água invadiu a sede do clube, ocasionando a perda de documentos, atas e fotos. A enchente destruiu a ponte na divisa entre Sertão Santana e Barra do Ribeiro, causando, na época, grande transtornos e perdas para a cidade.

Para poder então responder à pergunta se a entidade teria surgido por volta de 1920, o Regional esteve por várias vezes conversando com Manoel Pontes, buscando entender alguns fatos explicados por esse colaborador e participante ativo da história do clube. Também vieram de encontro duas ATAS fornecidas por membros da diretoria do Sport Club Esperança.

 

ATAS

Na Ata do dia 29 de outubro de 1922, consta um trecho que diz o seguinte:

“O Sport Club Internacional, fez proposta de se unir com o Sport Club Esperança, o qual foi aceito por Unanimidade”.

Já na segunda Ata do dia 19 de novembro de 1922, diz o seguinte:

“O secretário leu a Ata anterior, a qual foi aprovada a entrada dos seguintes sócios do Ex Internacional: Benno Rennhak, Alfredo Rennhak, Willy Rennhak, Arthur Rennhak,  João F. dos Santos, Otto M., Osvaldo Albin, Guilherme M., Anacletto Pinzon, Waldemar Matzen e José Pinzon Filho os quais foram suspensos da respectiva Jóia”

 

O que nos mostram estes trechos registrados em ATAS, é a certeza da existência do “Sport Club Internacional” (registrado sem o E na grafia) em meados de 1920, podendo ter surgido bem antes, ano este que não teremos como precisar na matéria, visto que não se tem documentos do antigo Internacional. Após 1922 ele é extinto, como visto acima e os integrantes começam a fazer parte do Sport Club Esperança.

 

Surgimento do Internacional em meados de 1920

 

Segundo informações do Tio Maneco, o nome “Internacional” já existia muito antes da fundação oficial do Esporte Clube Internacional. Sem precisar data de início, ele se lembra do que lhe foi contado.

Germano Rennhak e Dona Alma Maria (ela teria sugerido o nome de Internacional)

Maneco destacou que um grupo de jovens jogadores que praticava firmemente o futebol na época, era composto por Willy, Arthur, Paulo e Alfredo Rennhak. Este grupo tinha um time que integrava mais jogadores de diferentes raças. Um dia eles mesmos se questionaram de que o grupo que estava sendo formado deveria ter um nome. Muitos nomes foram sugeridos. Foi quando então a senhora casada com Germano Rennhak, Dona Alma Maria (casal este que veio da Alemanha e se conheceram aqui, vindo mais tarde a casar), sugeriu o nome de Internacional. Na época, pelo fato do grupo ter jogadores de várias raças, Dona Alma Maria sugeriu o nome “Internacional”, pois seria uma forma de mostrar união com a junção de diferentes nacionalidades. Maneco destacou que de fato na época tinham muitas raças, Polonês, Negro, Italiano e Alemão, entre outros.

A foto mostra a provável formação do primeiro time do Internacional em meados de 1920

 

Grupo termina e anos depois surge o atual Clube Internacional

Este grupo, Internacional, com o passar do tempo, foi terminando conforme observamos nas Atas do Sport Club Esperança. Depois de muitos anos, já por volta de 1945, com a formação de um novo grupo e havendo a necessidade de um nome, o Arthur Rennhak, o mesmo aquele que integrava o primeiro Internacional, sugeriu então o nome de “Internacional”, o que acabou sendo acatado até os dias de hoje, sendo conhecido na região como Esporte Clube Internacional de Sertão Santana.

Mas como em todo lugar, houve ainda quem quisesse outro nome. Foi o caso do Roberto Barth que sugeriu o nome de Grêmio Esportivo, pois era uma pessoa que adorava a equipe gremista tricolor.

 

Campo do Inter

O Campo inicialmente era do outro lado do arroio (arroio que faz divisa com Barra do Ribeiro) e, na época, pertencente tudo ao município de Guaíba. Algumas poucas partidas foram realizadas por lá, vindo o campo a ser trocado de lugar por questão de acessibilidade, situando-se onde está localizado até hoje. As terras pertenciam a Alfredo Karr. Ainda foi destacado que na época o prefeito de Guaíba Ruy Coelho Gonçalves, auxiliou na parte burocrática para aquisição da área onde hoje está a entidade.

Registro feito em uma partida no ano de 1966

 

Primeira sede

Maneco lembra que a primeira sede do Inter era onde ele exerceu trabalho com couro por muito tempo. Antes era o açougue de seu sogro Cristiano Pinzon. Destacou o ambiente alegre que era, tinha jogo de ping – pong, bocha, carta, comes e bebes e muitos causos.

Já na beira do campo, a sede se iniciou com barracas. Com o passar do tempo e a adesão de novos sócios, construiu-se uma sede de madeira. Angariando dinheiro nos torneios, mais tarde, o clube foi construindo sua sede de alvenaria. Como em todos os lugares as coisas andaram devagar.

 

Uniforme do primeiro time do Inter

Maneco lembra, como se fosse ontem, que teve o prazer de ser o primeiro goleiro da entidade no jogo oficial. Contudo, um fato curioso chamou muito a atenção na época. O amigo Roberto Barth foi o responsável por adquirir o uniforme oficial da equipe, comprado em Porto Alegre. E, para a surpresa de todos, o uniforme usado no primeiro jogo, foi tricolor. Com este uniforme, foram jogadas mais umas três partidas e a diretoria optou por realizar uma nova compra de uniformes com as cores oficiais da entidade.

As camisetas tricolores foram vendidas para o senhor Henrique Schranck para serem usadas pela equipe do Grêmio de Sertão Santana.

 

 Foto do primeiro time oficial do Esporte Clube Internacional

Com traje tricolor, usado em apenas três partidas, Maneco explica que o cidadão de terno onde muitos pensariam que seria o treinador, na verdade, era o juiz. Este senhor, que não tivemos o conhecimento do nome, era um topógrafo que estava medindo a estrada para sair a BR 116 e, na ocasião, foi convidado a ser o juiz da partida.

Em pé ao lado do Juiz: Arnoldo Schröer, Manoel Pontes e Arthur Rennhak

No meio: Albino Heidrich, Albino Meyer, Cabano Leandro

Agachados: Roberto Barth, Oladi Lang, Willy Rennhak, Alberto Rennhak e Paulo Pinzon

Jogo bastante emocionante com uma grande torcida. Aliás, Maneco destaca que naquele tempo a torcida e simpatizantes se faziam presentes lotando os espaços para prestigiarem os jogos que se estendiam durante todo o dia, parecendo uma verdadeira festa. No início da noite de muitos jogos, bandas animavam ainda mais o ambiente, muito diferente de hoje em dia. O resultado deste jogo foi 5 x 1 para a equipe adversária, o XV de Novembro, que mais tarde veio a fazer fusão com o Grêmio Sertanense.

 

Segundo time do Inter

 

Legenda da Foto:

Oswino Meyer, Bino Pinzon, Delmar Maizer, Bubi Car, Nezinho, Darci Oppelt, Nélio Karr, Getulio Pinzon, Teco Pinzon, Erni Maizer, Roberto Bischoff, Zequinha e Mauro Maizer

 

Tio Maneco hoje com 91 anos de idade, um dos principais personagem da entidade foi quem nos recebeu e concedeu preciosas informações

 

 

Matéria: Figura (Gildomar Avila Medeiros)

Fontes Consultadas:

Manoel Pontes (Maneco)

Marli Rennhak Pinzon

Guerda Rennhak Radajeski

Sport Club Esperança