Nos últimos anos, experiências em realidade virtual se popularizaram entre games, exposições e outras atividades. O usuário tem a possibilidade de uma imersão única, com a sensação de estar no cenário de jogos, por exemplo. Para além da diversão, essa tecnologia também contribui para a medicina — e um procedimento inédito no Sul do Brasil é exemplo disso.

Em dezembro, um paciente passou por uma aterectomia — desobstrução de vasos sanguíneos. Tabagista, o homem já havia recebido um stent na artéria femoral, prótese que restabelece o fluxo sanguíneo. No entanto, passado cerca de um ano, o vaso já estava entupido novamente. Para resolver o problema e evitar uma nova obstrução em pouco tempo, profissionais do Hospital Moinhos de Vento utilizaram duas técnicas inovadoras.

O cirurgião vascular fez o procedimento com um óculos de realidade virtual, que apresentava as imagens de exame do paciente, com as quais conseguia interagir — além de ter transmissão simultânea do caso. Ao mesmo tempo, a aterectomia ocorreu com um aparelho a laser, que elimina termicamente as placas de gordura no vaso.

“Com o laser, temos uma melhora de 50% para 85% no resultado, diminuindo as chances de entupimento da artéria”, explica o médico Alexandre Araújo Pereira, coordenador do Núcleo de Doenças Arteriais do Hospital Moinhos de Vento, que conduziu o procedimento. É a primeira vez que a aterectomia a laser foi realizada no Sul do país, bem como a aplicação da realidade virtual no período transoperatório.

Para o caso, foi utilizado o óculos Hololens 2. O dispositivo de realidade virtual é desenvolvido pela Microsoft e vem sendo aplicado na área há cerca de um ano, nos Estados Unidos, de forma experimental. O equipamento chegou ao Brasil no último mês. “É uma honra estarmos participando ativamente no desenvolvimento dessa tecnologia, que será, sem dúvida, de grande importância para a medicina nas próximas décadas”, ressalta Alexandre.

Um mês depois, o paciente está bem, caminhando e até se exercitando.

2020 de grandes inovações

Ao longo do ano, o Hospital Moinhos foi pioneiro na utilização de uma série de tecnologias na área de cirurgia vascular. Em julho, uma prótese inédita no país foi usada para tratar um paciente de 70 anos com aneurisma de aorta abdominal. Em apenas um mês, foi produzida uma prótese customizada para a anatomia do paciente. Foi a primeira vez que se usou o equipamento com tripla fenestra — orifícios pelos quais são inseridos os stents para manter a circulação nos vasos.

Em agosto, outro procedimento inédito no Brasil preveniu um acidente vascular cerebral em uma idosa de 85 anos. Com uma placa na artéria carótida, era necessária a implantação de um stent. A indicação da prótese adequada foi feita com um aparelho de tomografia de coerência óptica (OCT, na sigla em inglês), feito pela primeira vez nesse vaso no país. Com essa tecnologia, um cateter com um tomógrafo de um milímetro é inserido no vaso, permitindo avaliar com precisão o quadro apresentado.

Fonte: Melina Fernandes/Critério