Estimular os estudantes a se expressar por meio da palavra escrita para que possam se tornar autores de textos é um dos desafios das escolas públicas. Dessa forma, a professora Eunice Salamoni com apoio da equipe diretiva da Escola Estadual Gustavo Würdell, de Potreiro Grande, desenvolveu um trabalho com os alunos do 9º ano, contemplando a produção de textos narrativos, onde os discentes interpretaram textos de suspense policial e assistiram ao filme “Assassinato no Expresso do Oriente, de Agatha Christie.

Com o objetivo de valorizar o trabalho dos alunos, professores e equipe diretiva da escola, com o apoio do Jornal Regional, apresenta o conto “A misteriosa morte da Sra. Montenegro”, produzido pela aluna Cássia da Silva Morais, texto este previamente escolhido pelos alunos e selecionado por uma comissão de professores da escola.

Capa do miniconto

“A misteriosa morte da Sra. Montenegro”
A família Montenegro, composta pela matriarca Sra. Montenegro, era muito rica, bem sucedida, tinha muitas posses, porém ela sentia-se só, porque seu esposo falecera há dois anos. A Sra. Montenegro tinha quatro filhos, Ricardo, Márcia, José e Jaques. Jaques era o filho mais novo com 33 anos, um homem irresponsável, sem muito interesse nos negócios da família, morava sozinho desde seus 19 anos e era sustentado pela mãe. José era adotado, casado com Maria e tinha uma filha de 07 anos, mas apesar de ter constituído família, ainda era um homem um tanto inseguro e possuía inveja de seu irmão Ricardo, pois José gastava tudo com luxúrias. A segunda filha da Sra. Montenegro era uma mulher muito linda e elegante, Márcia tinha um filho de 10 anos e era casada com Felipe Torres, um homem de negócios muito bem conceituado. A Sra. Montenegro não costumava ver os filhos e netos, pois todos moravam longe, ela já estava um tanto velha e queria encontrá-los, então pediu a seu filho Ricardo para reuni-los, pois fariam uma viagem juntos para se reencontrarem e estreitarem laços familiares. Ricardo não achou a ideia muito interessante, pois sabia que a relação que tinha com os irmãos não era das melhores, mas como poderia negar um pedido desses a sua mãe? Então concordou com a ideia e ordenou a sua secretária que ligasse para seus irmãos para convidá-los para uma viagem a Praia Forte, ficariam em uma pousada alugada somente para a família. Todos então confirmaram presença, a Sra. Montenegro ficou muito contente e pediu para seu filho Ricardo evitar conflitos, ele então concordou. A data da viagem estava próxima, a família passaria três dias junta. Finalmente o dia da viagem chegou, eles saíram na tarde de sexta e voltariam ao fim do dia de domingo. Ricardo e sua família foram os primeiros a chegar, deixaram a casa organizada para guardar a vinda do restante dos irmãos. O próximo a chegar foi Jaques, ele pilotava sua moto em alta velocidade, ele cumprimentou todos e já ouviu uma lição de moral do irmão Ricardo por irresponsabilidade quanto a velocidade, Jaques fingiu não se importar com o ocorrido. Logo chega Márcia juntamente com o marido, um homem sério, de poucas palavras e seu filho. Todos se cumprimentaram e acomodaram-se nos vários quartos da casa. Finalmente chega José com a esposa e filha, eles cumprimentaram todos de uma forma não muito simpática e se dirigem também ao quarto. Já era tarde, todos estavam cansados, tiveram uma longa e silenciosa refeição antes de irem para seus aposentos. De repente, Jaques começou a contar piadas idiotas, sem sentido e aos poucos foram interagindo até estarem todos dando gargalhadas e se divertindo. Depois de muita conversa e risos, todos foram dormir. A Sra. Montenegro estava contente por ver sua família reunida como seu falecido marido gostava. No dia seguinte, após o café, foram à praia, as crianças brincaram muito, as mulheres tomaram sol e os homens jogaram vôlei, almoçaram na praia e nem viram a tarde passar, já anoitecia. Foram todos para casa, tomaram banho e reuniram-se normalmente à mesa de jantar, estavam todos conversando sobre o incrível dia, então José tocou no assunto de negócios da família e começou a criticar a maneira que seu irmão Ricardo os conduzia. Então logo iniciou-se uma grande discussão, na qual todos se alteraram, José discutiu também com sua mãe de uma forma muito agressiva. Helena, esposa de Ricardo, não gostou da situação, então foi com os filhos para o quarto. A Sra. Montenegro deu um basta na situação e foi para seu quarto, muito triste. Neste clima todos foram dormir, Ricardo para não deixar sua mãe mais triste, decidiu que pediria perdão a todos na manhã seguinte, mesmo acreditando que estava certo e após o café sairia da casa. No outro dia cumpriu o prometido, seu irmão José percebeu também que havia cometido o mesmo erro e pediu perdão a Ricardo. Já eram 10h da manhã e a Sra. Montenegro não havia saído do quarto, Ricardo se preocupou, pois ela não costumara acordar tarde, então se dirigiu até o quarto da mãe para contar que estava tudo resolvido e deparou-se com a Sra. Montenegro deitada ao chão, ele levou um grande susto e gritou para os irmãos que chamassem a médica da família que a examinou e informou que a Sra. Montenegro estava morta. Todos se puseram a chorar, não sabiam a causa da morte, a polícia viera investigar e concluiu que ela havia sido envenenada, mas quem havia cometido este crime?. Supostamente seria alguém que estava naquele local, poderia ter sido qualquer um, também não descartava-se a possibilidade de um suicídio. O silêncio tomou conta do local, todos se olharam desconfiados, todos eram suspeitos. Sem saber que rumo tomar, decidiram chamar um detetive para entender o que havia acontecido naquela casa. A polícia então determinou que todos permanecessem na casa até que o crime fosse desvendado. A família organizou o funeral e ao fim do dia retornou à pousada onde tudo aconteceu, totalmente desorientados pela situação. Ao amanhecer se encontraram com o detetive Ed Moreira, que já havia examinado a cena do crime ou suposto suicídio, então o investigador decidiu interrogar todos que estavam na pousada, ou seja, a família Montenegro, a relação de cada um com a matriarca.Após o fim do interrogatório, o Sr. Moreira retornou ao seu escritório sem fazer nenhum comentário com os membros da família que continuavam sem respostas sobre o ocorrido. O detetive trabalhava com uma linha de raciocínio, onde a Sra. Montenegro poderia ter se suicidado devido as brigas da família, mas ao longo dos depoimentos percebeu que ela faria o possível para que a paz reinasse, conforme o desejo de seu falecido marido.

Então Sr.Moreira via como principal suspeito o filho adotivo da Sra. Montenegro, José devido a inveja dos seus irmãos, mas também percebia grande tristeza no rapaz pela perda da mãe.
Os demais irmãos eram muito bem sucedidos, exceto Jaques que era sustentado pela mãe, mas não cometeria esse crime pela herança, pois sabia que não administraria os negócios da família.
Ricardo era o menos provável suspeito, pois convivia muito com a mãe e foi quem a encontrou morta, mas era ele quem cuidava dos negócios e assumiria grandes partes das ações.
Era um caso complicado, então o detetive Moreira fez uma simulação do crime e descobriu que a Sra. Montenegro bebeu chá indiano, o qual havia sido preparado por alguém da casa. Na xícara de chá tinha somente a impressão digital da Sra. Montenegro, então o Sr. Moreira perguntou aos familiares se a Sra. Montenegro costumava beber chá antes de dormir, após a negativa ele foi informado que a única pessoa da casa que bebia chá indiano diariamente era Maria, esposa de José.
O detetive ainda não tinha provas para comprovar as suspeitas sobre o casal. A Sra. Montenegro havia bebido polônio, um veneno muito poderoso, mas onde estaria o frasco do veneno?
Então o Sr. Moreira pediu à polícia que fizesse uma revista na casa, sem que os familiares soubessem o que os policiais estavam procurando.
Levaram a tarde para realizar o trabalho, encontraram o frasco do veneno no bolso do paletó de Felipe Torres, genro da Sra. Montenegro. Imediatamente o prenderam por estar com a prova do crime.
Felipe Torres então confessa o crime e conta que teve a ajuda de Maria, esposa de José, pois os dois tinham interesse na herança da Sra. Montenegro, Felipe Torres havia falido e mantinha em sigilo sua situação financeira.
Ele e Maria planejaram o assassinato, ela achava injusto o fato do marido não participar dos negócios da família, ambos tinham interesse na herança da sogra.
Os dois foram presos e condenados. Ricardo e José resolveram seus conflitos e toda família se uniu novamente como era o desejo da Sra. Montenegro e seu marido.