A alimentação é um direito básico do cidadão, mas que nem sempre é atendido na sua plenitude, portanto organizações sociais e entidades públicas têm trabalhado ao longo dos anos na construção de políticas que garantam a segurança e soberania alimentar, para que mais pessoas tenham acesso a alimentos saudáveis, de forma regular e sustentável, considerando ainda as características e identidades culturais de cada grupo social e o meio onde vivem.

Neste sentido a administração municipal de Sentinela do Sul implantou no ano de 2018 o programa Hortas Familiares, por iniciativa do prefeito Flávio Trescastro que sugeriu um trabalho intersetorial e que resultou na construção de um projeto em parceria entre a secretaria municipal do Trabalho, Cidadania e Assistência Social (SMTCAS), CRAS (Tempo de Viver), Emater/RS-Ascar e a secretaria municipal de Agricultura e Meio Ambiente.

O projeto visa despertar o interesse pelo cultivo de alimentos e adesão a alimentação saudável, com o resgate das hortas caseiras. Também incluiu a realização de oficinas com foco na reeducação alimentar, boas práticas de manipulação dos alimentos, prevenção a doenças causadas pela má alimentação, compostagem, manejo e cultivo de hortas. O poder público é responsável também pela distribuição de kits com mudas de hortaliças e frutíferas, além de sementes, calcário e a assistência técnica.

Para a extensionista da Emater/RS-Ascar, Nástia Duarte Garcia, os resultados estão sendo satisfatórios tendo em vista a adesão e melhora na qualidade de vida e alimentação das famílias beneficiadas.

“É nítido também a evolução e melhora na própria auto estima dessas famílias” comenta Nástia.

Ela explica que a Emater/RS-Ascar participa de forma ativa na visitação e acompanhamento técnico e social das famílias. Também faz a seleção das mudas de hortaliças, sementes e frutíferas para que sejam adquiridas pela prefeitura de acordo com a época para plantio.

Tendo iniciado com 15 famílias o programa beneficia atualmente 60 famílias residentes no município e tem como meta ampliar este número para 90 durante o ano de 2022.

O público alvo do programa tem sido especialmente as famílias em condições de vulnerabilidade social ou econômica, elencadas, avaliadas e acompanhadas pelas equipes profissionais da área social que integram a SMTCAS e CRAS.

“Temos observado resultados bem positivos, uma vez que as famílias tem aderido e participado de forma assídua, incluindo o envolvimento de crianças, adolescentes, homens e mulheres, seja no próprio cultivo das hortas ou nas palestras onde abordamos os aspectos sobre a saúde e a relação homem-natureza no meio ambiente”, avaliou a coordenadora do CRAS, Olívia Kramm.

Ana Paula Alvez Souza, 37 anos, conta que tem colhido de sua horta diversos tipos de alimentos, incluindo alface, repolho, beterraba, orégano, salsa, cebolinha, couve, couve-flor, brócolis, abóbora, moranga, aipim, batata doce, manjerona, alecrim, manjericão, cebola e chuchu. Recentemente também fez o plantio de frutíferas com as mudas que recebeu da prefeitura municipal.

Ana Paula é moradora da localidade de Bom Recreio, interior do município, e integra o programa de Hortas Familiares desde o ano passado. Ela diz que gosta de tomar conta da horta e por vezes conta com a ajuda do filho adolescente, 16 anos, em determinadas tarefas, enquanto o esposo trabalha fora como motorista.

“Tudo que cultivo me ajuda bastante no dia a dia, pois não preciso comprar. O programa nos auxiliou muito, pois antes já tínhamos uma horta, mas nem sempre a gente tinha condições de comprar as mudas, as sementes ou os adubos. Agora temos ganhado e isso é um ótimo incentivo. Não tem nada melhor do que plantar e colher seu próprio alimento”, garante a beneficiária.

Para Fabio Moraes, secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente o programa vai além de fornecer alimentos, uma vez que promove a organização social e a educação em relação a terra.

“Além de estimular as práticas agrícolas e garantir alimentos saudáveis as hortas promovem a valorização da interação familiar e comunitária, sobretudo por meio da educação via oficinas e palestras, do uso adequado do solo, tipos de cultivo, entre outras questões agrícolas. Prestamos a assistência necessária, mas principalmente ensinamos estas famílias como se desenvolver por meio do trabalho e da gestão”, conclui o secretário.

Fotos: Ascom Pref. Mun. Sentinela do Sul