Sertanense fala sobre seu hobbie de colecionar antiguidades

Enio Waldemar Mücke o 1º Tenente aposentado, recebeu o Regional em sua casa e nos contou um pouco sobre sua paixão por antiguidades e a história de algumas peças

Tem quem ache que colecionar objetos antigos não é algo comum, alguns acham que é mania, mas os colecionadores são pessoas extremamente apaixonadas. São pessoas que querem deixar o passado sempre vivo na memória.

Em Sertão Santana, o 1º Tenente aposentado Enio Waldemar Mücke coleciona antiguidades desde muito jovem e conta que este hábito iniciou com objetivo de preservar os objetos/peças, dentre o seu acervo tem peças de imigrantes Alemães, Italianos, Espanhóis, Poloneses, Portugueses e também objetos de indígenas da região além de ferramentas rudimentares usadas pelos imigrantes e documentos históricos.

“A grande maioria das peças que tem hoje aqui, fizeram parte da minha infância, nos tempos mais antigos as coisas eram muito mais difíceis, então se valorizava mais, portanto comecei a colecionar e guardar, até por que muito destas coisas que tenho aqui seriam jogadas foras e muitos objetos são memórias de alguns antepassados” relembrou.

As histórias que seu pai o contava sobre a imigração dos alemães e italianos que fizeram parte da colonização fizeram com que Enio guardasse peças vindas destes países também.

Quando começou a colecionar, o sertanense guardava seus objetos em um galpão e somente após se aposentar conseguiu construir um local somente para abrigar suas antiguidades.

“Meu espaço era restrito, e quando vinha alguma escola fazer alguma pesquisa, (trabalho com alunos), não tinha muito espaço, por isso quando consegui me aposentar resolvi construir este local” disse.

Além deste, Enio tem outro local onde também coleciona mais antiguidades, “Na minha outra chácara, na casa do meu falecido avô, tenho peças mais rústicas como arado, grade dentre outras peças” completou.

Dentre as centenas de objetos que podem ser encontrados, Enio recorda do mais antigo que é uma moeda e uma Bíblia de 1846 em estilo gótico, e uma outra bíblia data do ano de 1800, que chegou através dos imigrantes alemães, “Esta bíblia era de um pastor” confirmou, também destacou talhas de armazenar água que adquiriu recentemente.

De todas as peças colecionadas por Enio, ele estima que comprou apenas 5% delas, o restante é doado por conhecidos que sabem que ele coleciona, inclusive tem algumas peças repetidas que mantem no local por serem doadas, outra parte também veio da sua própria família (avôs e bisavôs), “todas elas têm uma história” contou.

A famosa “lambe lambe”, antigamente os registros fotográficos eram feitos desta maneira e tinham este nome por que os fotógrafos lambiam as chapas de vidro que capturavam a imagem, depois ela era transferida para um papel. Está maquina Enio conta que foi a mais difícil de conseguir.

“Esta máquina era do pai de um colega meu, eu sempre pedia pra ele, mas ele resistia, até que um dia ele se sensibilizou e me presentou” recordou.

Outro objeto que Enio guarda com carinho é um lampião a carboreto, segundo Enio este lampião ainda está funcionando. E destaque para o caneco de chopp de porcelana vindo da Alemanha no qual tem uma tampa para evitar que as moscas chegassem na borda da caneca. Dentre os muitos objetos destaque também para um frasco de remédio contra mordidas de cobras peçonhentas que pertenceu ao seu avô Cristóvão Pellegrino, o remédio era da marca Serpentinal.

 

Outros objetos do colecionador

Máquina de escrever antiga, toca discos, balanças, rádios antigos, gravador, televisões antigas, pinico, pedras preciosas, peças indígenas, moldes de sapatos da Alemanha, termômetros, máquinas de costurar, máquina de cortar cabelo, bala de fuzil, barril de chopp, caneco de chopp, registro de confirmação (1917), talha de água com mais de cem anos que eram dos portugueses, notas de dinheiro antigas, dentre outras centenas de objetos.

 

Radio Galena

Enio mostrou também o famoso e antigo rádio de galena, é um dos receptores mais simples de modulação AM que se pode construir. Ele utiliza as propriedades semicondutoras do mineral galena, um dos primeiros semicondutores ou seja, antes do germânio e silício. Ele demanda uma antena de grande extensão (tipicamente 20 m de fio cru, um circuito ressonante formado por uma bobina em um capacitor, em que um deles é variável, sintonizado na freqüência AM de interesse, passando por um circuito retificador (formado pelo diodo de galena) associado com um circuito “passa-baixa” do tipo RC (resistor-capacitor) que filtra as altas freqüências. O sinal sintonizado, retificado e filtrado é transmitido diretamente à um transdutor de altaimpedância do tipo transdutor de cristal como monofone (alto-falante). O rádio de galena não necessita de fonte de energia para produzir som audível no monofone pois toda a energia é captada pela antena de grandes dimensões, tipicamente de 1/2, 1/4 e 1/8 do comprimento de onda a ser sintonizado.

A pedra de galena tem a função de separar a radiofrequência da parte de modulação, fazendo com que chegue ao fone de ouvido somente o áudio. Quando havia só uma estação transmitindo não havia necessidade de sintonizar a frequência. Posteriormente foi acrescentado ao circuito um capacitor variável e uma bobina que conseguiam sintonizar mais de uma emissora, muito usado na Segunda Guerra Mundial. No Brasil os pioneiros radioescutas do mundo todo, inclusive os brasileiros nas décadas de 20 e 30, conheceram as audições radiofônicas através dos galenas, receptores elementares, na maioria de fabricação caseira. Bem mais tarde, surgiram os alto-falantes que, por sua vez, eram cornetas de som, no mesmo estilo das antigas vitrolas e, posteriormente, embutidos nos receptores.

 

Seu Enio também tem guardado um rádio que ele escutava quando ainda era criança e lembra ainda dos programas que ouvia, “Escutava o programa do Darci Fagundes, “Grande Rodeio Coringa”, este rádio era ligado apenas no domingo à noite devido ao preço alto das pilhas, mas a pilha naquele tempo chegava a durar dois anos, pois podíamos escutar rádio somente no domingo” lembrou.

Berço do Lindolfo Collor

Dentre seus objetos antigos, Enio tem um berço que pertenceu a Lindolfo Collor, quem lhe deu este berço e lhe falou um pouco da história foi Dona Eva Collor. Lindolfo vem a ser o avô do ex-presidente Collor de Melo, e muito dormiu neste berço quando aqui chegaram da Alemanha.

Para quem quiser doar alguma peça antiga para seu Enio pode entrar em contato através do fone (51) 9.9697-6074, todas as peças doadas são catalogadas com o nome da pessoa que doou.

Abaixo galeria de fotos:

Redação CLICR
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