Visita do Papa ao Rio Grande do Sul completa 40 anos neste sábado

Bom humor e carisma marcaram a primeira e única passagem de um Pontífice pelo Estado

A passagem do Papa João Paulo II na Capital foi rápida, foram 22 horas, contudo bastou para eternizar momentos memoráveis, há 40 anos  o único Papa a visitar o Rio Grande do Sul experimentou chimarrão, topou colocar um chapéu gaudério na cabeça e acabou virando um de nós, convencido pelo povo, que gritava:

Ucho, ucho, ucho, o Papa é gaúcho!

Antes de chegar no Gigantinho Papa recebeu o carinho dos gaúchos – Foto Antonio Carlos Mafalda

No pôr do sol do dia 04 de julho de 1980 o Boeing presidencial com a comitiva de João Paulo II pousou na pista do Salgado Filho, em Porto Alegre, era um dia frio como o que estamos presenciando ultimamente fazia 9°, seu tempo foi curto mas bastou para eternizar momentos lembrados até hoje.

No início da noite o Papa foi para a Praça da Matriz onde milhares de fiéis o esperavam, gritando o ” Ucho, ucho, ucho,  o Papa é gaucho”.  Neste local João Paulo II preferiu uma das frases mais lembradas que muitos guardam com carinho.

“Me diziam que o clima aqui em Porto Alegre era muito frio, eu sinto o contrario, um grande calor” falou João Paulo.

Neste dia muita gente veio de longe com caravanas só para ver bem de perto o Papa João de Deus como também era chamado.

Missa Campal na Rotula junto ao Estadio Olímpico Foto Tude Munhoz

No dia seguinte ele celebrou a Missa Campal, no local onde hoje é conhecida como a “Rotula do Papa” um dos momentos mais marcantes da passagem do João Paulo II em Porto Alegre, pois cerca de 300 mil pessoal participaram da cerimônia, que teve transmissão para o mundo todo.

Da missa o Pontífice foi para o Gigantinho onde tinha encontro com religiosos, mas na entrada os gaúchos mais uma vez demonstraram todo seu carinho com a santidade, das mãos de Paixão Cortes e Pedro Borghetti, ele recebeu uma cuia e experimentou o chimarrão, e usou na cabeça um chapéu tradicionalista com barbicacho.

Papa deixa mensagem em Porto Alegre

Em sua visita ao Rio Grande do Sul o papa esteve 12 dias no Brasil, ‎Karol Wojtyła visitou 13 cidades. Como lembra arcebispo emérito de Porto Alegre Dom Dadeus Grings, havia uma expectativa em torno do discurso que faria em Porto Alegre — em cada capital, tinha um tema diferente. Na rótula junto ao Estádio Olímpico (conhecida hoje como Rótula do Papa), ele falou para cerca de 300 mil pessoas sobre “as vocações do homem como filho de Deus” e apontou o Rio Grande do Sul como um reduto inegável de fé católica.

Dom Dadeus destaca a disposição do Pontífice, que ainda estava com 60 anos e não havia sofrido o atentado na Praça São Pedro, no Vaticano.

— O Papa era todo vigoroso, estava no auge de sua força.

Papa Acenando antes de parir para Curitiba / Foto Juan Carlos Gomes

No ano seguinte, 1981, por indicação do cardeal Vicente Scherer,  Dadeus foi trabalhar na Secretaria de Estado do Vaticano, junto a João Paulo II. Destaca que o Papa tratava cada pessoa como se fosse única e que não fazia discriminações. Também não se acanhava diante de multidões, como provara nessa primeira viagem ao Brasil. Após consultar sua comitiva sobre o que significava “gaúcho”, passou a visita provocando:

— O Papa é gaúcho?

— Ééééé — recebia como resposta.

Papa João Paulo II (18 de maio de 1920 — 2 de abril de 2005), atuou como Papa de 1978 a 2005. Em 2014 virou Santo, a decisão de canonizá-lo foi oficializada pelo Papa Francisco, após o reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão de João Paulo II.

Neste mesmo ano foram criadas duas igrejas uma em Porto Alegre e outra no município de Chuvisca em homenagem a João Paulo II

Igreja de Chuvisca
Igreja de Porto Alegre
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